O influenciador e empresário Gabriel Spalone teve a prisão preventiva decretada na sexta-feira (9), um dia depois de ser preso em São Paulo. Ele é suspeito de extorquir e ameaçar dois empresários e de dizer que integrava o Primeiro Comando da Capital (PCC). A defesa nega as acusações.
Spalone foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Osasco, na Grande São Paulo. A prisão foi cumprida por policiais civis da 1ª Delegacia Antissequestro, do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope). O mandado inicial era de prisão temporária, com duração de cinco dias.
Do que ele é acusado?
Segundo a denúncia, Spalone passou a cobrar dos sócios da Cargobr Transportes Ltda., Márcio Eduardo Nozari e Marcel Rosica Anconi, uma quantia que alegava ter a receber. Os empresários afirmam que já haviam compensado a dívida com valores de outro negócio, que teria dado prejuízo. A divergência sobre essa compensação teria motivado as cobranças.
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A acusação diz ainda que ele se apresentou como integrante do PCC e ameaçou sequestrar familiares dos dois sócios e do advogado deles, identificado como Bruno, caso o dinheiro não fosse pago. De acordo com o Estadão, as vítimas eram sócias de Spalone e, por indicação dele, teriam investido em um criptoativo. A exigência do dinheiro teria começado em abril de 2026.

O que diz a defesa?
O advogado Eduardo Maurício afirmou que a defesa vai pedir a revogação da prisão preventiva e, se for o caso, apresentar habeas corpus. Segundo ele, nunca houve ameaça, extorsão nem ligação com o PCC.
Em nota, a defesa disse não ter tido acesso ao processo, que está em segredo de justiça. Para os advogados, a conversão da prisão temporária em preventiva em dois dias indica ilegalidade e perseguição por parte da polícia e do Ministério Público.
Qual é o caso dos R$ 146 milhões?
Spalone já era alvo de uma investigação, de 2025, sobre um esquema suspeito de desviar R$ 146 milhões por meio do Pix. Segundo os investigadores, as empresas dele ofereciam câmbio, criptomoedas e pagamentos, mas não tinham autorização do Banco Central para operar transferências diretas via Pix. Elas recorriam a bancos ou financeiras autorizadas, o chamado Pix indireto.

Ele responde a processo criminal por furto qualificado e associação criminosa nesse caso. Outras duas pessoas foram presas e, segundo a polícia, teriam se beneficiado com quase R$ 75 milhões. A defesa dos outros investigados não foi localizada.
Em setembro de 2025, Spalone foi detido no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, depois de ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional de compartilhamento de informações sobre foragidos. Antes disso, havia sido detido no Panamá, mas foi liberado. Extraditado para o Brasil, obteve liberdade provisória em fevereiro deste ano.
O que aconteceu na audiência de custódia?
A audiência de custódia ocorreu na sexta-feira (9). O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que ela tinha o objetivo restrito de checar eventual irregularidade na execução da prisão. O tribunal não apontou irregularidades, e Spalone permanece preso.
- Pedido da defesa: revogação da preventiva e, se for o caso, habeas corpus.
- Apreendido com ele, segundo a Secretaria da Segurança Pública: três celulares, um tablet e um notebook.
A Secretaria da Segurança Pública informou que as investigações prosseguem.



