O índice do dólar subiu 0,37% e chegou a 102,58, o maior nível desde abril de 2025, segundo a Reuters
O Brent passou de US$ 106 com ataques houthis à Arábia Saudita e dúvidas sobre o cessar-fogo na Ucrânia
O CPI dos EUA, na quarta-feira (14), pode definir a direção do dólar no curto prazo
O dólar subiu no exterior nesta segunda-feira (12) e chegou à maior cotação em 18 meses. Segundo a Reuters, o índice que compara a moeda americana a seis outras divisas avançou 0,37%, para 102,58, o maior nível desde abril de 2025.
A alta foi sustentada pela busca por ativos de refúgio, depois que os ataques no Oriente Médio se intensificaram no fim de semana, e pela cautela antes do dado de inflação dos Estados Unidos.
Por que o dólar subiu?
Investidores procuraram proteção depois que os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, ampliaram ações contra a Arábia Saudita. Dois petroleiros foram atacados no fim de semana. O Correio do Povo registrou ainda um ataque dos houthis a um aeroporto em Riad.
O petróleo reagiu. Segundo a Reuters, os contratos futuros do Brent subiram 2,3%, para US$ 107,17 o barril. Na bolsa ICE, em Londres, o Brent para dezembro fechou em alta de 1,84%, a US$ 106,65. A cotação está quase 45% acima do patamar anterior ao início do conflito entre EUA e Israel de um lado e o Irã de outro.
No leste europeu, o cessar-fogo no setor de energia entre Ucrânia e Rússia, anunciado no domingo (11) pelo presidente americano, Donald Trump, parecia em risco desde o início. Kiev acusou Moscou de violar o acordo na madrugada desta segunda, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia atingiu uma usina de energia em Kharkiv.
De acordo com o Valor Econômico, o temor geopolítico sobre o petróleo pode estar dando base à leitura de inflação prolongada e juros mais altos, o que mantém o dólar forte. A liquidez também foi menor por causa do feriado de Dia de Colombo nos EUA. As bolsas americanas funcionaram, mas o mercado de títulos do Tesouro ficou fechado.
O que pesa sobre o Fed?
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou os juros em setembro, pela primeira vez desde 2023. Pela ferramenta CME FedWatch, a probabilidade de manutenção das taxas neste mês é de 78%, ante 51% no mês anterior.
A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou nesta segunda que o banco deveria adotar uma política restritiva “relativamente rápido” para controlar uma inflação que ela considera mais generalizada.
O relatório de inflação ao consumidor dos EUA (CPI, na sigla em inglês), referente a setembro, sai na quarta-feira. Analistas do ING avaliam que, a menos que os preços de energia caiam de forma expressiva, o dado deve manter as expectativas de novo aperto monetário.
Como ficaram outras moedas?
Euro: caiu 0,4%, para US$ 1,1156, perto da menor cotação em 17 meses, após a quinta semana seguida de perdas. Pesa a apreensão com a situação fiscal da França.
Iene: o dólar subiu 0,2%, para 158,66 ienes.
Libra: recuou 0,2%, para US$ 1,3203.
Há quem veja fôlego para o dólar?
Nem todos os analistas veem espaço para novas altas. Joel Kruger, estrategista de mercado do LMAX Group, disse que não está convencido de que a aversão ao risco se traduzirá em valorização sustentada da moeda. Ele citou dados econômicos em desaceleração e o fato de que grande parte da alta de juros esperada já está nos preços. “Vemos espaço limitado para uma alta adicional do dólar”, afirmou.
Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex, disse que o foco está nos dados de inflação da semana, que provavelmente virão em alta. Segundo ele, um aumento de juros antes de uma eleição é tão incomum que “a barreira é um tanto alta” para o Fed agir.
Quando sai o próximo dado que mexe com o dólar?
O próximo teste para a moeda é o CPI de quarta-feira (14), uma das últimas divulgações econômicas importantes antes da reunião de política monetária do Fed neste mês. Segundo a Reuters, o dado pode ser decisivo para a direção do dólar no curto prazo.
Imagem de arquivo ilustra o dólar (foto de arquivo) Foto: Valter Campanato/Agência BrasilImagem de arquivo ilustra a moeda americana (foto de arquivo) Foto: Valter Campanato/Agência Brasil