O mercado financeiro passou a esperar inflação de 5,22% em 2026, acima dos 5,01% estimados na semana anterior. A informação é do Boletim Focus, divulgado nesta terça-feira (13) pelo Banco Central (BC). O número ultrapassa o teto da meta, de 4,5%.
A pesquisa foi feita na última semana com mais de 100 instituições financeiras. O boletim costuma sair às segundas-feiras, mas foi adiado por causa do feriado de Nossa Senhora Aparecida.
Qual é a meta de inflação em 2026?
A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, ela é cumprida se o IPCA (índice oficial de inflação) ficar entre 1,5% e 4,5%. A projeção de 5,22% para este ano fica fora desse intervalo.
As demais estimativas do boletim são estas:
- 2026: de 5,01% para 5,22%
- 2027: mantida em 4,30%
- 2028: de 3,80% para 3,79%
- 2029: de 3,51% para 3,50%
O Focus saiu logo depois do IPCA de setembro, que subiu 0,82%. O resultado ficou acima da expectativa de 0,73%. Com isso, a inflação em 12 meses chegou a 4,58%, também acima do teto.
Como a inflação alta afeta o bolso?
Quando os preços sobem mais que a renda, o salário compra menos. O g1 aponta que o efeito pesa mais sobre quem recebe salários menores.
A revisão ocorre com a guerra no Oriente Médio ainda em curso. O conflito pressiona o preço do petróleo, que pode elevar o custo dos combustíveis no Brasil. O petróleo Brent chegou a US$ 106, segundo a Exame.
Na sexta-feira (9), o governo federal anunciou a ampliação por 30 dias dos subsídios sobre gasolina, etanol e diesel. Os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, citaram os efeitos da guerra.

Segundo o g1, em ano eleitoral, as ações do governo para estimular a economia e reduzir o endividamento das famílias aumentam a procura por produtos e serviços, o que dificulta o controle dos preços. O BC, por sua vez, afirma que um crescimento mais lento faz parte da estratégia para conter a inflação.
Os juros vão cair?
Apesar da inflação maior, o mercado passou a projetar juros menores. A Selic (taxa básica de juros) esperada para o fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25% ao ano. Hoje, ela está em 13,75%, depois de cinco cortes neste ano.
Segundo o g1, a projeção embute duas reduções até dezembro. Para o fim de 2027, a Selic esperada permaneceu em 12%. Para 2028, ficou em 10,50%.
O que acontece com o PIB e o dólar?
A projeção para o PIB (soma de tudo o que o país produz) de 2026 foi mantida em 1,85%. Para 2027, continuou em 1,40%. O PIB de 2025 cresceu 2,3%, segundo o IBGE. A Metrópoles informa que o BC trabalha com alta de 1,8% para este ano, e o governo federal, com 2%.
No câmbio, o mercado reduziu a previsão do dólar para o fim de 2026, de R$ 5,20 para R$ 5,15. Para o fim de 2027, a estimativa caiu de R$ 5,28 para R$ 5,26. O dólar à vista fechou a sexta-feira (9) cotado a R$ 4,985, queda de 4,43% na semana, segundo a Exame.
O que vem a seguir?
O Ibovespa retoma os negócios nesta terça, depois do feriado. Na semana passada, a bolsa subiu 8,82%, a maior alta semanal em seis anos. O segundo turno da eleição presidencial será em 25 de outubro.
O Focus sai normalmente às segundas-feiras, e o próximo deve voltar a esse calendário.



