O Bank of America foi multado em mais de US$ 1,21 bilhão (R$ 6,09 bilhões) por autoridades regulatórias dos Estados Unidos. A punição tem como base falhas na prevenção à lavagem de dinheiro e no cumprimento de sanções econômicas, segundo o InfoMoney, em texto da Bloomberg.
Para os reguladores, o banco deixou de lado parte essencial de seus controles de conformidade enquanto tentava proteger a receita. O anúncio foi feito pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
Quais são as penalidades
A maior parte do valor vem de uma multa civil de US$ 750 milhões, descrita como recorde, aplicada pelo Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês).
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Já o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) informou que seu acordo com o banco se refere a 475 aparentes violações de programas de sanções, que envolvem países como Rússia e Irã. Os reguladores também colocaram o banco sob uma ordem de supervisão especial.
O que dizem os reguladores
Segundo o Tesouro, o banco transferiu a terceiros uma parte substancial da tarefa de detectar e comunicar, por iniciativa própria, atividades suspeitas.
Na avaliação dos reguladores, a instituição deu prioridade à receita e reduziu o dinheiro reservado à conformidade. Com isso, passou a acompanhar seus clientes com base em questionamentos de autoridades e em alertas vindos de outros bancos.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que, quando um banco desse porte descumpre suas obrigações, as consequências vão além da própria empresa e expõem o sistema financeiro dos EUA a riscos. Segundo ele, as medidas enviam a mensagem de que “nem mesmo as maiores instituições financeiras estão acima da lei”.
O que diz o Bank of America
Em nota enviada por e-mail, o banco disse que vem atuando com os reguladores para reforçar o combate a crimes financeiros. Segundo a instituição, há milhares de funcionários dedicados ao tema e bilhões de dólares investidos em tecnologia.
O banco afirmou estar comprometido com a conclusão das medidas necessárias para resolver os problemas apontados. Também disse que a equipe e o dinheiro reservados para as correções já aparecem em suas despesas.
Um porta-voz explicou que as penalidades decorrem de uma ordem de supervisão firmada com o OCC em 2024. Na ocasião, o banco foi enquadrado por entregar fora do prazo relatórios de atividades suspeitas e por manter um programa de combate à lavagem considerado insuficiente.
Qual o efeito no balanço e nas ações
O banco informou que o balanço do terceiro trimestre incluirá uma despesa extraordinária de US$ 1,2 bilhão, sem dedução de impostos. O gasto deve reduzir o lucro líquido em cerca de 17 centavos por ação.
- Despesa extraordinária: US$ 1,2 bilhão, não dedutível de impostos
- Impacto no lucro: cerca de 17 centavos de dólar por ação
- Ações no pós-mercado em Nova York: queda de 2,4%, para US$ 52,69
- Acumulado em 2026 até o fechamento do pregão regular: queda de 1,9%
Outros casos e o contexto regulatório
Na semana passada, a American Express foi multada em US$ 350 milhões por falhas em identificar e reportar sinais de lavagem de dinheiro em seu sistema.
Segundo o InfoMoney, a medida contrasta com os esforços da equipe regulatória do presidente Donald Trump para diminuir exigências sobre grandes bancos. Entre as propostas estão afrouxar regras de capital, limitar o alcance da supervisão bancária e reduzir uma unidade do Federal Reserve voltada à fiscalização do setor.
Em 2022, o Bank of America já havia sido multado em US$ 225 milhões por práticas consideradas injustas e enganosas em um programa de cartões pré-pagos que distribuía seguro-desemprego.
O banco previa divulgar os resultados do terceiro trimestre antes da abertura do mercado nesta quarta-feira (14).



