O Amazonas chega ao terceiro fim de semana de outubro com 36 municípios em situação de emergência por causa das queimadas e com Manaus voltando a amanhecer coberta de fumaça. No sábado (17), o índice de qualidade do ar medido pela plataforma IQAir na capital bateu 657 pontos às 8h40, faixa classificada como perigosa, segundo o g1 Amazonas.
O decreto de emergência foi assinado pelo governador Roberto Cidade em 10 de outubro e reconhecido pelo Ministério da Integração no mesmo dia, de acordo com a Agência Brasil. Ao longo do mês, aulas foram suspensas, um bombeiro estadual e um ministro trocaram críticas em público e o governo federal ampliou a frota de aviões no estado.
Quantos focos de incêndio o Amazonas tem em 2026?
Os números variam conforme a base consultada, mas todas apontam alta forte em relação a 2025:
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- Acumulado do ano até 13 de outubro: 7.865 focos, contra 3.639 no mesmo período do ano passado, alta de cerca de 116%, segundo boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas com dados do Inpe.
- De 1º a 10 de outubro: 1.380 focos, ante 372 nos mesmos dias de 2025 (alta de 271%), pelo Painel do Fogo do Censipam, citado pela Agência Brasil. Desse total, 1.186 estavam em áreas públicas e 116 em terras indígenas.
- De 1º a 11 de outubro: 6.901 focos de calor no Painel do Clima do governo estadual, 91,38% acima do mesmo intervalo do ano passado, também segundo a Agência Brasil.
O sul do estado concentra a maior parte do fogo. Lábrea aparecia em 6º lugar no ranking nacional de focos de outubro até o dia 13, com 249 registros, e Boca do Acre em 10º, com 186, segundo o boletim do MPC-AM. Sete dos dez primeiros colocados ficam no Pará.
Por que a fumaça chega a Manaus?
A capital não está no centro das queimadas, mas recebe a fumaça de incêndios no interior do Amazonas e de estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso, segundo a Agência Brasil. As partículas ficam suspensas por dias e viajam longas distâncias com o vento. Sem chuva, os poluentes continuam no ar.

Na sexta-feira (16), Manaus teve o pior ar entre as capitais brasileiras pela manhã: índice 167 no IQAir às 6h. No bairro do Aleixo, na zona centro-sul, a concentração de partículas finas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico, nível “péssimo” na rede de sensores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
As aulas estão suspensas em Manaus?
A rede municipal suspendeu as aulas presenciais em vários dias deste mês. O boletim do MPC-AM registra suspensão em 9, 13 e 14 de outubro, e a Agência Brasil informou nova suspensão na sexta (16). A UEA também parou as atividades presenciais em todas as unidades, na capital e no interior, nos três turnos, naquele dia.
A decisão é tomada dia a dia, conforme a medição da qualidade do ar. Pais e alunos devem acompanhar os comunicados da Secretaria Municipal de Educação antes de sair de casa.
Como se proteger da fumaça
A Defesa Civil do Amazonas classificou o risco da fumaça como severo e pediu o uso de máscara fora de casa. A Prefeitura de Manaus orienta:
- manter portas e janelas fechadas nos horários de fumaça mais densa;
- beber água ao longo do dia e umidificar os ambientes;
- evitar atividade física ao ar livre;
- redobrar o cuidado com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas, os grupos mais sensíveis.
O Ministério da Saúde identificou 12 municípios amazonenses que precisam de algum reforço nos serviços de saúde. Uma base da Força Nacional do SUS deve começar a funcionar em Manaus na terça-feira (20), em caráter preventivo. Até agora, segundo o governo federal, não houve sobrecarga nos hospitais por causa da fumaça.
O que está sendo feito para apagar o fogo
Com cinco aeronaves anunciadas no sábado, a frota no estado passa de 11 para 16, entre elas dois cargueiros KC-390 da FAB; o novo despeja até 19 mil litros a cada voo. Desde 9 de outubro, foram despejados cerca de 600 mil litros em 260 horas de voo. Pelas contas do Ibama, 317 incêndios já foram apagados nesta temporada.

Uma comitiva de quatro ministros (Meio Ambiente, Justiça, Defesa e Integração) foi a Manaus neste domingo (18). Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal vão reforçar as operações, mas o número de agentes ainda não foi definido. A PF e a Abin investigam suspeitas de crime ambiental em parte dos incêndios.
No dinheiro, uma portaria publicada na sexta (16) liberou R$ 14,3 milhões para o Amazonas para resposta a desastres, com 180 dias para execução. Segundo o g1, o texto não detalha as ações nem diz expressamente se o valor vai para o combate ao fogo.
Houve atraso na ajuda?
A demora virou bate-boca. O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas disse em entrevista na TV que o governo federal negava ajuda ao estado. O ministro da Integração, Waldez Góes, rebateu em 11 de outubro: afirmou que a ação federal dependia do decreto estadual de emergência, reconhecido no mesmo dia, e sugeriu que o comandante deveria “apagar fogo” em vez de “tocar fogo”, segundo a Agência Brasil.
O MPC-AM, em seu boletim, recomendou avaliar se os recursos mobilizados oferecem proteção proporcional à gravidade da crise.
Quando a situação deve melhorar?
Nenhum dos órgãos citados deu prazo para o fim da fumaça. O próximo marco concreto é a abertura da base da Força Nacional do SUS em Manaus, na terça (20). Até lá, a recomendação é checar a qualidade do ar antes de sair, pelos boletins da Defesa Civil e da prefeitura.



