O Bradesco lucrou R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, em linha com o que o mercado esperava. Mesmo assim, as ações do banco caíam cerca de 2% nesta sexta-feira (23), depois da divulgação de uma inadimplência de 4,6% da carteira de crédito e de provisões para calote de R$ 10,6 bilhões.
Por volta das 10h15, as ações preferenciais (PN) recuavam 2,23%, cotadas a R$ 19,77, segundo a Veja. Às 10h40, o Valor Econômico registrava queda de 1,93% nas PN e de 1,73% nas ordinárias (ON), com os bancos liderando as baixas do Ibovespa.
Quanto o Bradesco lucrou no trimestre?
O lucro recorrente, que exclui itens pontuais, somou R$ 7,11 bilhões, segundo a Bloomberg Línea. Foi a 11ª alta seguida, mas a mais fraca da sequência: o avanço ficou em 0,8%, depois de 4,5% no primeiro trimestre e 3,5% no segundo.
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Na comparação com o mesmo período de 2025, o ganho foi de 14,6%, pelas contas da Bloomberg Línea. A Veja citou 15,6%. De janeiro a setembro, o lucro acumulado chegou a R$ 20,9 bilhões, de acordo com a Veja.
A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) caiu para 15,6%, ante 16,2% no segundo trimestre. O banco diz que, sem o aumento de capital de R$ 10 bilhões feito no período, o índice seria de 16,1%. A projeção para 2026 (guidance) foi mantida.
Por que a inadimplência preocupa?
Os contratos com mais de 90 dias de atraso passaram de 4,3% no segundo trimestre para 4,6%. Um ano antes, estavam em 4,1%. O banco chama a alta de “leve”.
Nas micro, pequenas e médias empresas, o índice foi de 3,7% para 4,9% em 12 meses. Segundo o Bradesco, cerca de metade do aumento veio de capital de giro com garantia do governo federal, linhas que exigem provisões menores.
A provisão para devedores duvidosos (PDD) é o dinheiro reservado como despesa para cobrir possíveis calotes. Ela chegou a R$ 10,6 bilhões, 6,6% a mais que no trimestre anterior e 24,3% a mais que em um ano. A cobertura caiu de 168,9% para 142,6% em 12 meses: hoje há R$ 1,43 de provisão para cada R$ 1 em atraso, ante R$ 1,69 um ano atrás. O InfoMoney, que arredondou o índice para 143%, comparou com 152% três meses antes.
Nas demais linhas, as receitas de serviços subiram 4,2% no trimestre e as despesas operacionais caíram 1,0% em 12 meses. Já o resultado de seguros, previdência e capitalização recuou 8,6% em relação ao trimestre anterior.
O que o CEO espera para 2027?
O presidente-executivo Marcelo Noronha disse que os dados do Banco Central mostram alta generalizada dos atrasos. “Esperamos pressão para todo o mercado no índice de inadimplência e no custo do crédito”, afirmou.
Ele descreveu o mercado de crédito como “mais restrito”, com juros altos e economia desacelerando. Noronha disse ainda que a carteira do banco tem hoje um perfil mais seguro que no passado. Segundo o banco, 61,2% dos empréstimos têm garantia. A Veja informou que o banco projeta alta de 1% do PIB em 2027.
A Fitch Ratings também vê ambiente adverso para o crédito, com juros reais altos e o maior endividamento do setor privado em duas décadas. A agência projeta crescimento de 1,4% do PIB em 2027.
O que dizem os analistas?
O Itaú BBA falou em “composição negativa” do resultado, que deve pesar nas estimativas para 2027. Mesmo assim, manteve a recomendação outperform e o preço-alvo de R$ 22 para o fim de 2027. A XP viu um trimestre misto e manteve a recomendação neutra, assim como o Goldman Sachs.
O JPMorgan disse que seguiria comprador em eventuais quedas, por considerar o Bradesco um dos beneficiados por juros menores e por uma melhora gradual da inadimplência em 2027. As recomendações são das próprias casas de análise.
Os próximos balanços de grandes bancos são o do Santander Brasil, em 28 de outubro, o do Itaú Unibanco, no início de novembro, e o do Banco do Brasil, em 11 de novembro.



