O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) negou ter sofrido ataque hacker na quarta-feira (21). Segundo o tribunal, a instabilidade nos sistemas veio de uma atualização técnica. A versão contrasta com a de um hacker que se identifica como Azael, que afirma ter derrubado o site e os sistemas da Justiça estadual.
Não há confirmação de invasão, de ação criminosa nem de acesso a dados sigilosos.
O que o TJMS informou
Em comunicado, a Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) disse que o eproc e o SEI precisariam de uma atualização imediata às 10h de quarta. O eproc é a plataforma de tramitação de processos judiciais. O SEI reúne a gestão de processos e documentos administrativos.
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A partir desse horário, os dois sistemas ficariam indisponíveis para usuários institucionais e externos. O tribunal afirmou que as equipes técnicas trabalham para restabelecer o serviço e que os canais de atendimento seguem disponíveis.
O Campo Grande News registrou que a suspensão foi anunciada antes do horário que o hacker deu para o suposto ataque. O TJMS não confirmou relação entre o problema e a ameaça.
Na mesma quarta, outros tribunais que usam o eproc, como o TJSP e o TJPR, também tiraram o sistema do ar para aplicar atualizações de segurança. Os bloqueios ocorreram depois da divulgação de falhas críticas no PHP, a linguagem em que roda boa parte dos sistemas web (leia mais). O TJMS não informou se a atualização dele tem relação com essas falhas.
O que diz o hacker
Azael enviou e-mails a veículos de imprensa. Na mensagem ao Campo Grande News, registrada às 13h36 conforme o horário do e-mail, anunciou que derrubaria o portal e todos os sistemas do TJMS às 14h25, no horário de Brasília. Em texto divulgado pelo JD1 Notícias e pelo Dourados Agora, afirma que o ataque de fato ocorreu nesse horário.
Na mensagem, ele diz que a ação não se trata de “um ato aleatório de vandalismo, mas de uma retaliação direta contra a justiça que pratica a injustiça”. Em resposta ao TopMídiaNews, afirmou que o caso é “um problema de natureza nacional”, citando assédio e violência contra animais.
Quais serviços foram afetados?
Os relatos não coincidem por completo. Servidores do TJMS disseram ao TopMídiaNews que alguns serviços funcionavam normalmente, enquanto outros apresentavam falhas. O Campo Grande News descreveu o site como fora do ar de forma intermitente.
O JD1 Notícias informou que o portal institucional voltou a funcionar depois de ficar temporariamente inacessível. Não há informação sobre se o eproc e o SEI já foram restabelecidos.
Quem é Azael?
O nome já apareceu em outras reivindicações. No início de outubro, segundo o portal CISO Advisor, o hacker anunciou ações contra o Tribunal de Justiça de Pernambuco e o Tribunal Superior do Trabalho (TST). O site pernambucano estava fora do ar quando o portal verificou. O do TST voltou a funcionar depois.
Em agosto de 2025, o pseudônimo foi usado para reivindicar um suposto ataque à Prefeitura de Campo Grande. A administração descartou ataque e atribuiu a instabilidade a falhas de conectividade com operadoras. Segundo o Campo Grande News, o suposto autor também foi alvo da Operação Timeout, da Polícia Federal, em junho do ano passado, quando teria sido preso.
As ações atribuídas a ele costumam ser do tipo DDoS (negação distribuída de serviço). Nesse caso, os servidores recebem um volume excessivo de acessos ao mesmo tempo e ficam lentos ou indisponíveis. Esse tipo de ataque não significa necessariamente invasão nem acesso a informações sigilosas.
O TJMS informou que divulgará novo comunicado quando os sistemas forem normalizados.



