A AerCap, maior empresa de arrendamento de aeronaves do mundo, vendeu nove cargueiros Boeing 767 de fuselagem larga no terceiro trimestre. A informação é do site especializado Simple Flying. No trimestre anterior, a empresa tinha vendido apenas um 767-300ERF.
O Simple Flying não informa quem comprou os aviões nem por quanto. Segundo o site, a operação surpreendeu observadores do setor, porque a demanda por carga aérea vinha em tendência de queda em relação a anos anteriores.
A demanda por carga caiu?
Os dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) mostram um quadro mais misto. Em agosto, a demanda internacional por carga subiu 4,4% na comparação anual, enquanto a capacidade total recuou 0,1%. As companhias passaram a ocupar melhor um espaço que não cresceu.
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As rotas, porém, andaram em ritmos diferentes. De acordo com o Simple Flying, o corredor entre Europa e Oriente Médio caiu 12,1%, por causa dos conflitos na região, enquanto as transportadoras norte-americanas cresceram 6,6% e lideraram a alta global. Os preços do frete aéreo internacional estão esfriando, mas partem de níveis historicamente altos.
Por que a AerCap está vendendo agora?
Segundo o Simple Flying, a arrendadora está direcionando sua carteira de carga para aviões mais novos e econômicos. Entram na conta o programa do Airbus A321P2F, de corredor único, e o Boeing 777-300ERSF, conversão feita em parceria com a Israel Aerospace Industries. Entre os médios de fuselagem larga, o Airbus A330-300P2F passou a liderar o segmento, com menor consumo de combustível e aviônicos mais modernos.
A publicação aponta dois riscos para o 767 cargueiro:
- Comércio eletrônico: o fim das isenções tributárias da União Europeia reduziu o volume de encomendas de baixo valor, que alimentam as rotas expressas em que o 767 é forte.
- Combustível: o querosene de aviação subiu de forma expressiva. O aumento pesa mais em aviões antigos e menos eficientes e pode reduzir o valor dos contratos de arrendamento.
Ainda segundo o site, grandes operadoras de carga expressa estão deixando de assinar novos contratos longos para modelos intermediários como o 767.
Por que o 767 continua sendo usado?
A oferta de aviões para substituir o 767 é curta. Atrasos nas fábricas, a Boeing entre elas, alongaram o prazo entre o pedido e a entrega de aeronaves novas. Por isso, empresas regionais e internacionais seguem com os médios que já possuem.
A Boeing avisou aos compradores que não há, no momento, 767-300ER de passageiros disponíveis para conversão em cargueiro, a opção mais procurada. A fabricante também vai encerrar no próximo ano a produção de 767 cargueiros novos. Na leitura do Simple Flying, isso congela a oferta futura do modelo.
O 767 no Brasil
O primeiro Boeing 767-200 da Transbrasil pousou no país em 18 de junho de 1983. O modelo também voou pela Varig, que, segundo o site Passageiro de Primeira, vendeu os seis 767-200ER da frota em 2003, por dificuldades financeiras. A Transbrasil encerrou as operações no fim de 2001.
O mesmo site informa que três 767-200 da Transbrasil, os únicos adquiridos diretamente da Boeing, ainda podiam ser vistos no aeroporto internacional de Brasília. Para voltar a voar, precisariam de manutenção pesada.



