O dólar disparou na abertura desta segunda-feira (26), um dia depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 9h42, o dólar à vista subia 12,25% e era vendido a R$ 5,605, segundo o InfoMoney. Na sexta-feira (23), a moeda havia fechado a R$ 4,99.
A alta ganhou força nos primeiros minutos de negócio. Às 9h03, a cotação estava em R$ 5,424, com avanço de 8,65%. O dólar futuro para novembro, o contrato mais negociado no país, subia 12,78% às 9h42, a R$ 5,610.
Por que o mercado reagiu assim?
Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que tinha liderado o primeiro turno e foi superado numa virada. O resultado contrariou as apostas dos investidores, que davam mais chance de vitória ao candidato do PL.
Segundo a Folha de S.Paulo, agentes do mercado preferiam Flávio por entender que, com ele no Planalto, haveria chance maior de controle das contas públicas. O jornal lembra, porém, que nem o senador nem seus assessores econômicos apresentaram detalhes concretos de um ajuste durante a campanha.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, disse ao InfoMoney que o mercado vinha incorporando a possibilidade de mais controle de gastos e agora deve rever essa expectativa. Ele cita o fato de o presidente não ter maioria própria no Congresso. Segundo o analista, o principal receio dos agentes financeiros é a dívida pública continuar crescendo sem medidas consideradas suficientes para estabilizá-la.
“A expectativa é de uma semana de maior cautela, com o Ibovespa pressionado, dólar em alta e juros futuros subindo”, afirmou.
Quanto a bolsa pode cair?
O Ibovespa futuro, que começa a ser negociado antes do mercado à vista, caía 19,85% por volta das 9h36, aos 166.790 pontos, de acordo com o InfoMoney. Para dar espaço a esse movimento, a B3 ampliou duas vezes o limite de queda diária dos contratos futuros de Ibovespa: primeiro de 10% para 15% e, a partir das 9h30, para 20%. A mudança vale só para o pregão desta segunda.
O Valor Econômico informa que a vitória de Lula derrubou os ativos brasileiros e que a bolsa pode acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações quando a queda é muito forte. A Folha também esperava que ações e real despencassem no pregão.
No exterior, o movimento apareceu antes da abertura. O EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, recuava 26,04% no pré-mercado às 5h34, segundo o InfoMoney. O Metrópoles registrou queda de 27% nos primeiros sinais após a eleição e diz que o fundo equivalente no Japão perdeu 15% na madrugada, a maior baixa em um único dia desde 2008.
O que muda no bolso de quem compra dólar
- Com o dólar a R$ 5,60, US$ 100 custam R$ 560, em conta simples, sem impostos e taxas.
- Na sexta-feira (23), com o dólar a R$ 4,99, os mesmos US$ 100 custavam R$ 499.
Os números são das primeiras horas do pregão e podem mudar até o fechamento.
O que mostra o boletim Focus
O Focus, pesquisa do Banco Central com economistas, foi divulgado nesta segunda-feira (26), mas o levantamento foi encerrado na sexta-feira (23), antes da votação. Por isso, não reflete a reação do mercado ao resultado.
- IPCA de 2026: 5,19%, ante 5,22% na semana anterior. Para 2027: 4,34%, ante 4,32%. A meta é 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
- PIB de 2026: 1,8%, ante 1,83%. Para 2027: 1,31%, ante 1,32%.
- Dólar no fim de 2026: R$ 5,05, ante R$ 5,13. Para 2027: R$ 5,15, ante R$ 5,22.
- Selic no fim de 2026: 13,25%, sem mudança. Para o fim de 2027: 11,75%, ante 12%.
Segundo o Valor, a agenda de indicadores do dia é enxuta: além do Focus, saem a Nota do Setor Externo e o Relatório da Dívida Pública.
No Focus, os economistas esperavam que o Copom, comitê do Banco Central que define a Selic, cortasse a taxa em 0,25 ponto percentual na reunião de novembro e fizesse nova redução de igual tamanho em dezembro. A projeção foi feita antes do resultado da eleição.
Atualização (26/10, 10h15): a matéria foi atualizada com a cotação das 9h42 (alta de 12,25%, a R$ 5,605), a queda do Ibovespa futuro e a ampliação dos limites de oscilação pela B3. Saiu a comparação com “a maior alta desde janeiro”, que valia só para o primeiro minuto de negócio.



