O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta terça-feira (13) a previsão de crescimento da economia brasileira para 2026 e 2027. Pelo novo cálculo, o Produto Interno Bruto (PIB) do país deve crescer 2,2% neste ano, ante 2,4% estimados em julho. Para 2027, a projeção caiu de 2,2% para 1,9%.
Os números constam do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês) de outubro, intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes”. O PIB mede tudo o que o país produz em bens e serviços. Quando ele cresce menos, a atividade econômica perde ritmo. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, segundo o documento.
Por que o FMI reduziu a previsão para o Brasil?
Segundo o Fundo, três fatores explicam a desaceleração:
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- juros ainda restritivos, usados para levar a inflação de volta à meta;
- a retirada de estímulos fiscais;
- a incerteza no cenário global.
Juros altos encarecem o crédito para famílias e empresas. Na prática, financiar um imóvel, parcelar um carro ou pegar empréstimo para ampliar um negócio fica mais caro, e o consumo e os investimentos tendem a perder força.
Com menos estímulo fiscal, o governo tem menos margem para aquecer a atividade por meio de gastos e incentivos. Segundo a Jovem Pan, que cita a Reuters, a guerra no Oriente Médio segue pressionando o petróleo, cujo barril permanece acima de US$ 100.
O corte não significa retração. O FMI continua projetando crescimento nos dois anos, só que em ritmo menor.
Como essa previsão se compara ao relatório de abril?
Em relação ao relatório de abril, a projeção para 2026 subiu de 1,9% para 2,2%. Já a estimativa para 2027 recuou de 2% para 1,9%.
O que o FMI prevê para inflação e desemprego?
O Fundo espera inflação em queda, medida pela variação média anual dos preços ao consumidor. Os números são médias do ano, e não a inflação acumulada em dezembro.
- 2025: 5%
- 2026: 4,4%
- 2027: 4,1%
No mercado de trabalho, a previsão é de piora. A taxa de desemprego deve passar de 6% em 2025 para 6,2% em 2026 e chegar a 6,8% em 2027.
Como o Brasil se compara com a região e o mundo?
O Brasil deve crescer menos que a América Latina e o Caribe, que devem avançar 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027. Na versão anterior do relatório, a região tinha 2,4% e 2,7%. Para a região, o Fundo vê recuperação moderada em 2027; para o Brasil, vê perda de ritmo.
Na economia mundial, a previsão para 2026 subiu de 3% para 3,1%, e a de 2027 ficou em 3,4%. Para os Estados Unidos, o FMI projeta 2,3% nos dois anos. Para a China, são 4,5% em 2026 e 4% em 2027. A Índia aparece com 7% nos dois anos.
Segundo a Jovem Pan, o relatório atribui parte da melhora mundial aos investimentos em inteligência artificial, mas o Brasil não está entre os maiores beneficiados.
A dívida pública é um risco para o Brasil?
Segundo a Jovem Pan, a dívida bruta brasileira estava em 94,5% do PIB em agosto, abaixo dos 95,4% de julho, pelos critérios do FMI. O Fundo alerta que países muito endividados ficam mais vulneráveis quando precisam pagar juros altos para se financiar.
O FMI também avisa que a guerra no Oriente Médio, as tensões comerciais e as fragilidades das contas públicas podem comprometer a atividade global.



