O mercado financeiro manteve em 5,22% a projeção de inflação para 2026, acima do teto da meta, e reduziu de 1,85% para 1,83% a estimativa de crescimento do PIB no mesmo ano. Os números constam do Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC), com estimativas coletadas até sexta-feira (16).
O Focus reúne as projeções de analistas do mercado financeiro consultados pelo BC e traz a mediana, a estimativa intermediária do conjunto. Não é uma garantia de que os números vão se confirmar.
Qual é o teto da inflação em 2026?
O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de inflação em 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o intervalo vai de 1,5% a 4,5%. Com 5,22% para o IPCA, a inflação oficial, a projeção fica 0,72 ponto acima do limite superior.
Olhando só as 111 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, que reagem mais rápido às novidades, a mediana para 2026 ficou em 5,19%, segundo o Estadão. Desde 2025 a meta é contínua: se a inflação acumulada em 12 meses ficar fora do intervalo por seis meses consecutivos, o BC é considerado como tendo perdido o alvo.
A inflação de setembro foi de 0,82%, e o índice acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, também acima de 4,5%, de acordo com o Metrópoles.
E os próximos anos?
Para 2027, a projeção do IPCA subiu de 4,30% para 4,32%. Para 2028, caiu de 3,79% para 3,75%, e para 2029 ficou em 3,50%.
Os preços administrados, que incluem energia elétrica, combustíveis e tarifas de serviços públicos, têm estimativa de 4,84% para 2026, ante 4,89% na semana anterior. A projeção para o IGP-M de 2026 passou de 5,27% para 5,26%.
Quanto o PIB deve crescer
A previsão de crescimento de 2027 caiu de 1,40% para 1,32%, e a de 2028 foi de 1,83% para 1,81%. Para 2029, a expectativa de 2,00% não mudou.
Para este ano, o mercado fica abaixo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que na terça-feira passada (12) revisou suas expectativas para baixo e passou a projetar alta de 2,2% para o PIB brasileiro em 2026. Segundo o IBGE, a economia cresceu 2,3% em 2025.
Juros e dólar
A mediana da Selic para o fim de 2026 seguiu em 13,25% ao ano pela sexta semana consecutiva. Entre as 98 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, porém, a mediana é de 13,75%. A Selic serve de referência para as demais taxas da economia.
Para 2027, a expectativa da Selic continua em 12%, e para 2028, em 10,50%. Para 2029, ficou em 10%. Hoje a Selic está em 13,75% ao ano: na última reunião, em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa de 14% para 13,75%, por unanimidade.
No câmbio, a projeção para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,15 para R$ 5,13. Para 2027, a previsão passou de R$ 5,26 para R$ 5,22, segunda queda semanal seguida.
O Focus é divulgado normalmente às segundas-feiras e resume as expectativas coletadas até a sexta-feira anterior.
Correção (19/10, 10:15): uma versão anterior dizia que o último corte da Selic tinha sido em agosto, para 14% ao ano; o Copom voltou a cortar a taxa em 16 de setembro, para 13,75%.



