O Índice de Inclusão Financeira 2026, apresentado pela Credicorp, superou 50 pontos na média regional pela primeira vez. A empresa diz que o resultado está 12 pontos acima do registrado em 2021.
O estudo cobre oito países: Peru, Chile, Argentina, Panamá, Equador, Colômbia, Bolívia e México. Os dados detalhados nas reportagens consultadas tratam principalmente de Peru e Colômbia, que mostram onde o uso de carteiras digitais avança e onde o crédito formal ainda é restrito.
Como o índice é calculado
A Credicorp mede três dimensões: acesso a produtos financeiros, uso desses produtos e qualidade percebida do sistema. Ter conta de poupança, segundo a empresa, não esgota o conceito. Pesa a relação da pessoa com os bancos e o quanto ela considera o sistema útil e confiável.
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De acordo com a Credicorp, o avanço veio de um uso mais frequente e de uma percepção melhor de qualidade. Gianfranco Ferrari, CEO da holding, disse ao El Comercio que a troca do dinheiro em espécie por outros meios, impulsionada pela pandemia, se sustentou.
Como foi a Colômbia
A Colômbia obteve 50 pontos em 2026, contra 45,4 em 2025, e ficou em quinto lugar entre os oito países. O relatório aponta alta de 12 pontos desde 2021, quando o país marcava 38, o maior aumento entre os avaliados.
Na dimensão de uso, porém, a pontuação colombiana é a mais baixa do levantamento: 31,2 pontos. Só 32% das pessoas usam meios formais para transferir dinheiro, acima dos 26% do ano anterior, mas abaixo da média regional de 43%.
- 64% não têm produto de crédito em instituição formal;
- 71% dizem não poupar;
- 15% recebem renda em dinheiro vivo.
Peru: mais carteiras, menos crédito
O Peru ficou em sexto lugar, com 47,7 pontos, contra 47 em 2025 e 37,9 em 2021. A frequência de uso de produtos financeiros subiu de 11,9 para 14,7 vezes por mês, e a parcela que não usa nenhum produto ao longo de um mês caiu de 49% para 40%.
A Credicorp afirma que o Peru tem o segundo maior uso diário de carteiras móveis do estudo. Enrique Pasquel, gerente de assuntos corporativos da Credicorp e do BCP, disse que só a Argentina supera os peruanos na adoção dessas carteiras. O levantamento também aponta que 49% dos peruanos não usaram nenhum ponto físico de atendimento, como agência, agente ou caixa eletrônico, o maior percentual entre os países avaliados.
A carteira Yape tem quase 17 milhões de usuários ativos, segundo Pasquel. Ferrari disse que 2 milhões de peruanos obtiveram por ela o primeiro crédito formal da vida.
O acesso a crédito, no entanto, piorou. A fatia de peruanos sem nenhum produto de crédito em instituição formal subiu de 66% para 68%, a maior entre os países analisados. Pasquel atribui o quadro a uma mistura de informalidade e falta de educação financeira. Fernando Barrios, especialista em transações digitais, afirmou que a informalidade aproveita a facilidade de enviar e receber dinheiro pelas carteiras.
O que diz o BCR sobre as carteiras
Barrios disse que o uso das carteiras cresceu na pandemia e ganhou força com a interoperabilidade coordenada pelo Banco Central de Reserva do Peru (BCR). Segundo ele, a interoperabilidade no país é praticamente total, e em outros países que ele observou não se chegou a esse nível.
Ferrari citou como próximo passo o TAPP (Transferências Automáticas de Pagamentos Peruanos), sistema do BCR, e disse estar convencido de que ele ajudará a reduzir o uso de dinheiro em espécie. Ele citou dados do banco central segundo os quais os pagamentos sem dinheiro vivo passaram de cerca de 14% há dez anos para pouco mais de 30%.
O índice é elaborado pela própria Credicorp, e as avaliações sobre o avanço da região partem de executivos da holding.



