O petróleo Brent fechou a sexta-feira (16) cotado a US$ 109,86 por barril, com alta de US$ 3,94 (3,7%). É o maior valor desde 19 de maio. Os investidores reagiram ao receio de que as tensões no Oriente Médio reduzam a oferta e às dúvidas sobre quanto diesel a Rússia conseguirá vender ao mercado externo.
O Brent é a referência internacional, negociada em Londres. Na semana, acumula alta de 4,9%, segundo o g1 e a CNN Brasil.
Quanto fechou o WTI nos Estados Unidos?
Os números do WTI, referência americana, variam entre as fontes. Segundo o g1, o contrato fechou a US$ 101,41, com alta de 3,5%, no maior patamar desde 17 de setembro, e acumula 10,4% na semana. A CNN Brasil, que cita o contrato para dezembro negociado na Nymex, informa US$ 99,02, com alta de 2,61% no dia e de 7,8% na semana.
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O que pressiona os preços do petróleo?
O primeiro fator é o Oriente Médio. Segundo a consultoria Energy Aspects, ouvida pela Reuters, os preços voltaram a subir depois de uma queda. Pesaram o medo de que o conflito se agrave e as notícias sobre possíveis ataques à infraestrutura de energia da Arábia Saudita.

A imprensa israelense publicou que o Irã poderia preparar um ataque preventivo, depois de serviços de inteligência ocidentais notarem movimentações militares fora do comum. A informação não foi confirmada.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita disse ter derrubado um míssil balístico disparado contra Yanbu, porto no Mar Vermelho. A cidade permite ao país escoar petróleo por uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz. A consultoria Rapidan Energy Group disse que, nas primeiras informações, não havia danos à infraestrutura local.
Como a crise na Rússia entra na conta?
O segundo fator é a Rússia. Na quinta-feira (15), a Ucrânia atacou uma refinaria russa. Antes, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, anunciara que Kiev deixaria a trégua que protegia instalações de energia. O cessar-fogo fora anunciado pelo presidente americano, Donald Trump.

Duas fontes do setor disseram à Reuters que a refinaria de Ryazan parou uma unidade de destilação primária após o ataque com drones. Segundo a CNN Brasil, essa mesma unidade já tinha sido suspensa por outro ataque no mês passado.
Para Dennis Kissler, da BOK Financial, a soma das tensões no Oriente Médio com as dúvidas sobre o diesel russo estimula a compra de petróleo por investidores. O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou, segundo a agência Interfax, que Moscou está pronta para manter seu papel no fornecimento de diesel.
O que os governos fazem para segurar a alta?
- A Agência Internacional de Energia (AIE) aceitou, na quinta-feira (15), colocar no mercado mais de 20 milhões de barris de combustíveis.
- Segundo o Departamento de Energia, os EUA abriram nesta sexta-feira (16) uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo.
Há também sinais de alívio. A Julius Baer avalia que a preocupação com o diesel pode diminuir, com mais exportações de derivados e menos manutenção em refinarias. Analistas do ING dizem que a volta dos embarques por Ormuz pode reduzir aos poucos o prêmio de risco, mas que só um acordo daria segurança de que os fluxos se manterão.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que Teerã está disposto a ajudar a resolver as divergências entre a Arábia Saudita e os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo regime iraniano.



