Os bancos UBS BB e Itaú BBA esperam um terceiro trimestre mais fraco para a Vale. Segundo as projeções, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da mineradora deve cair entre 14% e 15%. A empresa divulga o balanço em 29 de outubro.
No pregão de 19 de outubro, a ação VALE3 fechou a R$ 66,36, com alta de 0,23% no dia, segundo o InfoMoney. No ano, o papel acumula queda de 5,50%, mas ainda sobe 18,6% em 12 meses. A máxima histórica foi de R$ 89,41.
Por que a ação vem caindo
O minério de ferro segue como o principal peso sobre a empresa. A commodity responde por cerca de 75% da receita da Vale, conforme o resultado do segundo trimestre. Agora, o preço voltou para perto de US$ 90 por tonelada.
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Para o UBS BB, o mercado tem excesso de oferta e pouca demanda por aço. O banco cita o projeto Simandou, na Guiné, que deve acrescentar cerca de 80 milhões de toneladas por ano ao comércio marítimo do minério, algo perto de 5% do mercado. No dia 15, o contrato negociado em Singapura caiu ao menor nível desde setembro de 2024, por dúvidas sobre a demanda chinesa.
Os dados da China, porém, não são unânimes. As importações de minério chegaram a quase 950 milhões de toneladas nos nove primeiros meses do ano, alta de 4,1%. Na segunda-feira (19), a commodity reagiu após dados melhores do PIB e da produção de aço, mas a recuperação foi limitada.
Quanto a Vale deve ganhar no trimestre
As duas projeções apontam na mesma direção, com números diferentes:
- UBS BB: Ebitda de US$ 3,46 bilhões, queda de 15% sobre o segundo trimestre. Para os minérios ferrosos, o banco estima US$ 2,8 bilhões. Para os metais básicos, US$ 0,9 bilhão, com efeito de paradas de manutenção em Sossego e no Canadá.
- Itaú BBA: Ebitda proforma de US$ 3,502 bilhões, queda de 14%, com pressão sobretudo dos ferrosos. O banco calcula preço realizado do minério de cerca de US$ 88 por tonelada, redução de aproximadamente 7%, além de fretes mais altos.
No segundo trimestre, a receita líquida foi de cerca de US$ 10,5 bilhões e o Ebitda, de aproximadamente US$ 4,1 bilhões. O fluxo de caixa livre chegou a cerca de US$ 1,5 bilhão, e a dívida líquida ficou abaixo de 1 vez o Ebitda.
A meta de produção está em risco?
O UBS BB manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo da ação de R$ 77 para R$ 73. Para os ADRs, recibos negociados nos Estados Unidos, o alvo caiu de US$ 15 para US$ 14,50. No relatório intitulado “Not Out of the Woods Yet”, os analistas escreveram que “ainda parece cedo para afirmar que a ação encontrou um piso”.
O banco aponta instabilidade no Sistema Norte, sobretudo na mina Serra Norte, onde há esgotamento de reservas e restrições operacionais. Pelos dados analisados, a produção do terceiro trimestre pode ficar em cerca de 89 milhões de toneladas, 5,4 milhões a menos que um ano antes. Para chegar ao piso da meta de 2026, a Vale precisaria acelerar no quarto trimestre.
“Há uma chance não desprezível de a Vale ficar abaixo de sua meta de produção”, escreveram os analistas. Se isso acontecer, a meta de custos também pode ser afetada. O UBS BB estima custos totais perto de US$ 62 por tonelada, no topo da faixa projetada pela companhia, por causa da valorização do real, da inflação e do combustível.
Para 2026 e 2027, o banco reduziu em cerca de 4% as projeções de Ebitda, para US$ 14,8 bilhões e US$ 14,7 bilhões. Mesmo com a queda do papel, o UBS BB diz que a ação ainda não parece barata, com rendimento de fluxo de caixa livre entre 0% e 5% em 2027.
O que os gráficos mostram
Na análise técnica do InfoMoney, a ação segue em canal de baixa e abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. O IFR de 14 dias está em 29,52 pontos, na região de sobrevenda, o que pode favorecer um repique, mas não confirma reversão. Se a mínima recente de R$ 65,72 for perdida, o próximo nível citado é R$ 64,11. Para uma reação mais firme, a ação precisaria recuperar R$ 67,53 e R$ 69,70.
No longo prazo, o CEO Gustavo Pimenta reafirmou, em Londres, a meta de levar a produção de cobre de pouco mais de 382 mil toneladas em 2025 para cerca de 700 mil toneladas até 2035. Os metais básicos representaram 25% da receita no segundo trimestre.
O próximo passo é o balanço do terceiro trimestre, em 29 de outubro, quando será possível comparar o resultado real com as estimativas dos dois bancos.



