O primeiro turno das eleições de 2026 registrou 21,07% de abstenção, a maior já medida nessa etapa no Brasil. Cerca de 33,1 milhões de eleitores não foram às urnas neste domingo (4), segundo dados da Justiça Eleitoral com 99,3% das urnas apuradas.
Como o índice evoluiu desde 2022
Em 2022, o primeiro turno presidencial teve 20,79% de ausência, o equivalente a 32,7 milhões de pessoas. A diferença para este ano é de 0,28 ponto percentual.
A abstenção cresce desde 2006, com alta acumulada de 4,2 pontos percentuais. Em 2022, pela primeira vez, houve queda do não comparecimento no segundo turno, que registrou 20,57%. Especialistas atribuem a reversão ao acirramento da disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).
Quem mais deixa de votar
Os dados detalhados sobre o perfil dos ausentes em 2026 ainda não estão disponíveis. Os números de 2022, da Justiça Eleitoral, mostram predominância de homens e de pessoas com menor grau de instrução, em duas faixas de idade:
- Entre 21 e 29 anos
- Acima de 70 anos, grupo para o qual o voto é facultativo
Entre analfabetos, a abstenção em 2022 foi de 52% no primeiro turno e 49,3% no segundo. Entre quem tem ensino superior completo, ficou em 12,4%.
Por que tanta gente deixa de votar
Cientistas políticos afirmam que não há pesquisas que ofereçam um diagnóstico do fenômeno. Eles listam hipóteses: a ressaca das duas últimas eleições, a dificuldade de chegar ao local de votação, mais comum na região amazônica e em cidades pequenas, e o cadastro desatualizado de eleitores.
Segundo a Folha de S.Paulo, a disputa deste ano teve o menor engajamento nas campanhas desde a redemocratização. Também não houve debate entre os principais candidatos, algo que não ocorria havia décadas, e o interesse medido nas pesquisas é baixo.
Especialistas também citam a queda dos votos inválidos. A soma de brancos e nulos foi de 10,39% em 2002 e de 8,79% em 2018. Para eles, parte dos eleitores passou a preferir se ausentar a registrar voto inválido.
Como justificar a ausência
O voto é obrigatório para quem tem de 18 a 70 anos, exceto analfabetos. A justificativa pode ser feita no aplicativo e-Título, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sem necessidade de documento comprobatório.
- Sem justificativa no prazo, a multa é de R$ 3,51 por turno
- Após três ausências, o título é cancelado
- Em 2025, 5 milhões de títulos foram cancelados por faltas nos últimos três pleitos
O percentual de 21,07% considera 99,3% das urnas apuradas. O perfil dos ausentes de 2026 ainda não foi divulgado pela Justiça Eleitoral.



