Os eleitores de Itaguaí, no estado do Rio, vão votar duas vezes no domingo (25). Além de escolher o presidente no segundo turno, a cidade elege um novo prefeito numa eleição suplementar, convocada depois que o vencedor de 2024 teve o registro de candidatura derrubado pela Justiça Eleitoral.
Seis chapas pediram registro. A uma semana da votação, quatro nomes seguem na disputa, e dois deles enfrentam questionamentos na Justiça.
Por que Itaguaí tem nova eleição para prefeito?
Rubem Vieira de Souza, o Dr. Rubão, venceu a eleição municipal de 2024, mas teve o registro indeferido em definitivo porque a Justiça Eleitoral entendeu que ele estaria disputando um terceiro mandato consecutivo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a decisão e mandou realizar nova eleição.
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Desde 2025, a prefeitura é comandada de forma interina pelo presidente da Câmara Municipal, Haroldo Rodrigues Jesus Neto, o Haroldinho. Quem vencer no dia 25 governa até o fim do mandato atual, em 2028.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) marcou a votação para a mesma data do segundo turno nacional. Assim, o eleitor usa a mesma urna e a mesma seção para os dois votos.
Quem são os candidatos a prefeito de Itaguaí?
Estes são os quatro candidatos que seguiam na disputa até a última atualização disponível, com número de urna e situação do registro:
- Haroldinho Jesus (PDT), nº 12 — prefeito interino; vice: Fabinho Taciano (PP). Chapa “Itaguaí Não Pode Parar”.
- Luciano Mota (PT), nº 13 — eleito prefeito em 2012; vice: Dr. Paulo Wesley (PT). Concorre pela Federação Brasil da Esperança. O registro foi aprovado pela 105ª Zona Eleitoral, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TRE-RJ (leia abaixo).
- Kelaine Goulart (Novo), nº 30 — vice: Beto do Posto (Novo). Teve o registro negado pelo TRE-RJ em 15 de outubro e ainda pode recorrer ao TSE.
- Marcelo Cunha (Democrata), nº 35 — vice: Dany Van Tol (Democrata). Estreia como candidato a prefeito e teve o registro aprovado.
Dois nomes deixaram a corrida. Alexandre Valle (PL), ex-deputado federal, renunciou à candidatura alegando motivos pessoais e familiares. Dr. Helinho (PRD) teve o registro rejeitado por irregularidade na convenção que o escolheu e decidiu não recorrer.
Por que o TRE-RJ barrou Kelaine Goulart?
Por unanimidade, o tribunal manteve a decisão da 105ª Zona Eleitoral e negou o registro com base no artigo 88 do Código Eleitoral, que proíbe a mesma pessoa de ser candidata a cargos diferentes em mais de uma circunscrição.

Kelaine disputou também, em 4 de outubro, uma vaga de deputada federal, e terminou como suplente, com 6.404 votos. Para o relator, o desembargador eleitoral Bruno Bodart, o fato de as duas eleições terem datas e mandatos diferentes não afasta a proibição. Ele apontou ainda risco à igualdade entre os concorrentes e dificuldade para fiscalizar as contas de cada campanha. Cabe recurso ao TSE.
O que o Ministério Público questiona na candidatura de Luciano Mota?
O Ministério Público Eleitoral sustenta que Mota estaria inelegível por causa de quatro decisões definitivas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) que reprovaram contas de sua gestão como prefeito, entre 2013 e 2015. Entre os pontos citados pelo órgão estão licitações para o hospital municipal e pagamentos sem contrato formalizado.
A primeira instância rejeitou o pedido e aprovou o registro. O Ministério Público recorreu, e o caso estava pendente de julgamento no TRE-RJ, segundo a reportagem mais recente consultada, de 12 de outubro. Enquanto não houver decisão contrária, a candidatura segue válida.
Candidato com recurso pendente pode receber votos?
Pode. A Lei das Eleições (Lei 9.504/1997, artigo 16-A) permite que o candidato com registro sob recurso continue em campanha e tenha o nome na urna. A validade dos votos que ele receber, porém, depende de o registro ser aprovado no fim do processo.
Como vai ser a votação em Itaguaí
- Data e horário: domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h;
- Ordem na urna: primeiro o voto para presidente, depois o voto para prefeito;
- Números: dois dígitos em cada cargo;
- Documento: oficial com foto, ou o e-Título para quem tem biometria.
A Justiça Eleitoral recomenda conferir o local de votação antes de sair de casa. As regras gerais — quem pode votar, como justificar e o que é proibido — estão no nosso guia do segundo turno.
Outras cidades com eleição para prefeito no dia 25
Além de Itaguaí, o TSE lista eleições suplementares em Arroio do Sal (RS), Santana do Itararé (PR), Macedônia, Martinópolis e Narandiba (SP) e Goiatins (TO). No Rio, o governo estadual já está definido: depois da anulação dos votos de Anthony Garotinho, o TRE-RJ proclamou Douglas Ruas (PL) governador eleito no primeiro turno, em 15 de outubro.
Próximos passos
Até a votação, ainda podem sair o julgamento do recurso contra Luciano Mota no TRE-RJ e um eventual recurso de Kelaine Goulart ao TSE. Os dados de cada candidato, como declaração de bens e plano de governo, estão no sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral.



