A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira (20) uma proposta chamada “Vira Pix”. Segundo a campanha, se ele for eleito, o consumidor receberia de volta parte do que paga por Pix em contas como luz, prestações e taxas. O anúncio foi feito a cinco dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
Até a última atualização das reportagens, a campanha não havia informado quanto a medida custaria nem como funcionaria na prática.
O que foi anunciado
A divulgação foi feita por Daniella Marques, coordenadora da área econômica da campanha, em publicação nas redes sociais. No vídeo, ela afirma: “Flávio vai criar junto com a Caixa [Econômica Federal] um plano de recompensa pra todo mundo no Brasil, e o vira PIX. Conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar, uma parte volta pro seu bolso”.
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Mais cedo, o próprio Flávio disse que pretende retomar, se eleito, o Programa Emergencial para Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado em 2021, na pandemia de Covid-19, no governo Jair Bolsonaro. Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, o programa foi encerrado em 2025, depois de somar R$ 15 bilhões em renúncias fiscais.
Quais dúvidas continuam abertas?
Os veículos que cobriram o anúncio apontam que a campanha deixou sem resposta pontos básicos:
- quais contas e pagamentos dariam direito ao retorno;
- qual percentual seria devolvido;
- em quanto tempo o valor chegaria ao consumidor;
- qual seria o custo estimado para os cofres públicos;
- de onde viria o dinheiro e se haveria teto de renda ou de valor.
O g1 procurou a campanha, que não respondeu até a última atualização da reportagem.
Em que o Vira Pix se diferencia do cashback da reforma?
A proposta lembra o cashback previsto na reforma tributária sobre o consumo, já aprovada pelo Congresso. Esse mecanismo começa em janeiro de 2027 e devolve parte dos impostos a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O “Vira Pix”, pelo que diz o vídeo, alcançaria “todo mundo no Brasil”.
Na reforma, há dois caminhos. No primeiro, o abatimento aparece direto na fatura de água, gás encanado e energia elétrica. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explicou ao g1 Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária.

No segundo, a família informa o CPF na compra, em supermercados ou farmácias, por exemplo, e recebe depois parte do imposto pago. A lei fixa devolução mínima de 20% da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), percentual que o governo pode ampliar. O crédito será feito em conta na Caixa.
Como fica a conta do governo?
No programa de governo, Flávio inclui o reequilíbrio das contas públicas, que registram déficits sucessivos nos últimos anos. Segundo ele, o ajuste abriria espaço para reduzir a taxa básica de juros.
Na coluna, Igor Gadelha chama de “pacote de bondades” o conjunto de promessas da campanha na reta final, que inclui o Perse, e vê um entrave: o candidato também promete à Faria Lima, como é conhecido o mercado financeiro, um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões, baseado sobretudo na redução dos juros. Para o colunista, os juros costumam resistir mais à queda quando o governo aposta em benefícios fiscais generosos.
O segundo turno entre Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será no domingo (25). Até a última atualização das reportagens, a campanha do PL não havia detalhado o “Vira Pix”.



