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Vazamento expõe dados de 58 mil câmeras do Smart Sampa; Prefeitura nega falha

Segundo a Prefeitura, um servidor afastado é o responsável; a gestão diz que a plataforma não teve falha de segurança e que não há registro de uso indevido.

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Resumo rápido

  • Informações que davam acesso a mais de 58 mil câmeras do Smart Sampa estiveram abertas na internet por cerca de 11 meses, segundo o UOL.
  • A Prefeitura de SP confirmou o vazamento, negou falha na plataforma e responsabilizou um servidor afastado, investigado pela Corregedoria da GCM.
  • O material incluía 181 logins e senhas e dados de mais de 6 mil agentes; havia câmeras de escolas, UBSs, hospitais e UPAs.

Mais de 58 mil câmeras do Smart Sampa, o sistema de videomonitoramento da capital paulista, tiveram dados de acesso disponíveis na internet por cerca de 11 meses. A Prefeitura de São Paulo admitiu o vazamento de informações sigilosas, mas nega que a plataforma tenha falha de segurança.

Segundo a gestão municipal, a origem foi um servidor da área de segurança. Ele foi afastado e é investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana (GCM). A Prefeitura atribui o caso ao compartilhamento ilegal de dados feito por esse servidor.

O caso veio à tona em reportagem do UOL publicada nesta terça-feira (20). De acordo com o jornal, o material estava num repositório aberto, que saiu do ar depois da denúncia.

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O que ficou exposto no Smart Sampa?

Segundo o UOL, o repositório reunia 181 logins e senhas de usuários autorizados a entrar no sistema. Havia ainda dados de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções para reproduzir uma interface de acesso em computadores e celulares.

Com esse material, a reportagem diz ter visto imagens ao vivo de câmeras espalhadas pela cidade. Os locais citados são:

  • 1.157 câmeras em Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • 427 câmeras em Escolas Municipais de Educação Infantil;
  • 396 câmeras em Escolas Municipais de Ensino Fundamental;
  • 118 câmeras em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), com 11 Caps infantis e 31 infantojuvenis na relação;
  • 80 câmeras em hospitais;
  • 68 câmeras em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Uma vez dentro da plataforma, era possível pesquisar nomes, CPFs e placas de veículos e consultar boletins de ocorrência, conforme a reportagem. Um especialista ouvido pelo UOL afirmou que uma brecha estaria presente em interfaces que recebem registros de reconhecimento de placas e rostos, o que permitiria inserir dados indevidamente.

O que diz a Prefeitura?

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) falou do assunto durante o lançamento da sede da TMC (Transamerica Media Company), empresa de mídia. “O sistema é absolutamente seguro. A gente não tem nenhuma ocorrência de utilização indevida do sistema”, disse.

Viatura da Polícia Militar com câmeras conectadas ao sistema de monitoramento Detecta Móvel, no Quartel do Comando Geral da PM paulista, em Bom Retiro
Viatura da Polícia Militar com câmeras conectadas ao sistema de monitoramento Detecta Móvel, no Quartel do Comando Geral da PM paulista, em Bom Retiro (foto de arquivo) Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Prefeitura também afirma que o repositório não trazia menção a senhas de acesso. O UOL, porém, relata que parte das credenciais seguia um padrão baseado nos dados cadastrais dos agentes e que não havia verificação em duas etapas. Segundo a reportagem, esse recurso só foi implantado depois dos questionamentos do jornal.

Quem opera o sistema?

O Smart Sampa é um projeto municipal, mas a gestão e a manutenção tecnológica ficam com o consórcio Smart City. Segundo o Estadão, a Prefeitura não tem acesso ao código-fonte, aos modelos de inteligência artificial nem às bases usadas para treiná-los. Esses componentes estão sob controle da SentinelX.

A SentinelX não existia quando a Prefeitura fez a licitação, em 2023. A empresa foi criada um mês após a assinatura do contrato e entrou no consórcio em dezembro de 2025, no lugar da Camerite. Os outros integrantes são CLD, Flama Serviços e PK9.

A administração municipal diz que fiscaliza o cumprimento dos requisitos técnicos da rede, mas não faz auditorias independentes dos modelos de IA.

Qual a ligação com a campanha presidencial?

O Smart Sampa foi lançado em 2024 e usa inteligência artificial para comparar imagens das câmeras com bases de pessoas procuradas pela Justiça e desaparecidas, segundo o Poder360.

O sistema entrou no debate da campanha. Em 13 de outubro, no anúncio de apoio de 17 diretórios estaduais do MDB ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, Nunes afirmou que o candidato pretende criar um sistema parecido em âmbito nacional, o Smart Brasil, com 2 milhões de câmeras. A apuração interna do vazamento segue na Corregedoria da GCM.

Fontes consultadas

Estadão — Smart Sampa: entenda o que vazou e quem são as empresas que operam o sistema de câmeras de SP Poder360 — Prefeitura de SP confirma vazamento de dados de 58.000 câmeras

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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