A atriz Isabel Teixeira, que vive a vilã Pilar na novela Quem Ama Cuida, revelou que tem síndrome de Li-Fraumeni. Segundo a médica Ananda Arruda, a condição eleva o risco de câncer ao longo da vida, mas não significa que um tumor vá surgir.
A síndrome é rara e hereditária. Ela está associada, principalmente, a alterações no gene TP53, que ajuda o organismo a proteger as células contra a formação de tumores. De acordo com o Terra, a atriz perdeu a mãe para o câncer e descobriu a alteração anos depois.
Ananda Arruda é especialista em Nutrologia Clínica e Medicina de Precisão, com foco em genética. Ela comentou o caso em entrevista ao Mais Novela e em texto publicado pelo Diário do Grande ABC.
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O que significa ter a síndrome de Li-Fraumeni?
Para a médica, o resultado do teste é uma informação de risco, não uma previsão. A alteração não indica que haja câncer naquele momento e também não permite saber se a doença aparecerá, nem quando.
“Um resultado genético precisa ser compreendido como uma informação sobre risco, e não como uma previsão absoluta do futuro”, afirmou Ananda, segundo o Diário do Grande ABC.
Quem deve investigar a predisposição?
Um único parente com câncer, segundo a especialista, não basta para suspeitar de uma síndrome hereditária. O que chama a atenção dos médicos é o padrão da família: tumores em idade muito precoce, diferentes cânceres entre parentes próximos ou uma pessoa que teve mais de um câncer primário.
O teste genético só deve ser feito com indicação médica, e o laudo precisa ser lido por profissionais preparados. Ela explica que nem toda alteração encontrada tem relevância clínica ou exige mudança de conduta.
Como a síndrome passa de uma geração para outra, parentes próximos de quem recebe o diagnóstico podem buscar aconselhamento genético para avaliar se precisam de investigação.
Como muda o acompanhamento?
A principal mudança está no rastreamento. De acordo com a médica, há protocolos específicos de vigilância para quem tem Li-Fraumeni, com consultas clínicas periódicas, ressonância magnética de corpo inteiro e outros exames. A escolha depende da idade, do histórico pessoal e da orientação do médico.
Ela citou ainda um cuidado com a radiação ionizante: sempre que possível, o acompanhamento procura evitar exposição desnecessária a ela. A condução, afirmou, deve ser individualizada e, de preferência, feita por equipe multidisciplinar.
Alimentação e exercício ajudam?
Ajudam na saúde em geral, mas não resolvem a questão genética. Alimentação equilibrada, atividade física, boas noites de sono e controle do peso fazem parte da prevenção, segundo a médica, porém nenhum hábito saudável elimina a predisposição.
“O estilo de vida complementa o acompanhamento médico, não substitui os protocolos de vigilância”, disse a especialista ao Mais Novela.
Quem tem dúvidas sobre a própria história familiar deve procurar um médico, que avalia se o teste genético está indicado.



