O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo indica que a morte do cineasta Ricardo Spencer, de 49 anos, é compatível com um evento súbito relacionado à epilepsia. O documento, divulgado pela família nesta terça-feira (6), não aponta sinais de violência. Spencer foi encontrado morto em 20 de julho, em um apartamento do Edifício Copan, no Centro da capital paulista.
O laudo cita a possibilidade de Sudep, sigla para morte súbita inesperada em epilepsia. Esse tipo de morte pode ocorrer de forma repentina, e a necropsia nem sempre revela alterações específicas que a expliquem. Spencer tinha histórico da doença, informado pelo irmão às autoridades no local.
O que o exame mostrou
Segundo o documento, não houve fratura no crânio, hematoma ou hemorragia, nem outras lesões que indicassem agressão. O laudo registra ainda que os policiais que atenderam a ocorrência não identificaram sinais de violência no corpo nem no ambiente.
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A análise toxicológica não detectou álcool etílico, praguicidas nem drogas de abuso pesquisadas na rotina.
Foram encontrados carbamazepina e seu metabólito, ligados a um medicamento anticonvulsivante usado no tratamento da epilepsia. De acordo com o laudo, a presença é compatível com exposição ao remédio. Sem análise quantitativa e sem outros indícios de intoxicação, o documento não atribui ao medicamento papel na morte.
Como o caso foi descoberto
Colegas de trabalho encontraram Spencer depois que ele faltou a uma reunião sobre uma série que desenvolvia para uma plataforma de streaming, segundo a revista VEJA. Um pedido de comida feito por aplicativo também não havia sido retirado na portaria do prédio, onde ele havia se mudado recentemente.

O porteiro acionou a administração, e o corpo foi localizado no chão do apartamento. Segundo a VEJA, Spencer morreu na noite de domingo (19). Familiares afirmaram que a morte ocorreu por causas naturais.
A Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita, procedimento comum quando a causa do óbito depende de confirmação pericial. O corpo foi encaminhado ao IML.
Quem era Ricardo Spencer
Natural de Salvador, Spencer era diretor e roteirista, com cerca de 20 anos de carreira no audiovisual. Começou dirigindo videoclipes de artistas como Rita Lee, Pitty, Criolo, Emicida e Liniker.
Na televisão, dirigiu séries como Mister Brau, Shippados, Todas as Mulheres do Mundo, Amor e Sorte e Segunda Chamada, que, segundo o R7, lhe rendeu indicação ao Emmy em 2021. Também integrou a equipe de direção da novela Segundo Sol.
Neto da atriz e diretora Nilda Spencer, conhecida como “dama do teatro baiano”, ele se especializou em Estética do Cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). A Secretaria de Cultura da Bahia lamentou a morte e destacou a contribuição do diretor ao audiovisual nacional.



