Ao menos 272 pessoas foram presas neste sábado (17) em protestos contra o custo de vida e por mais professores em toda a França, segundo o Ministério do Interior. Em Lyon, encapuzados quebraram janelas e atearam fogo ao posto de turismo, de acordo com a BFMTV.
Até o meio-dia, as autoridades contaram 140 manifestações fora de Paris, com 32,8 mil participantes. A polícia disparou gás lacrimogêneo e entrou em confronto com manifestantes em várias cidades. Veículos de notícia classificam os atos como alguns dos mais violentos dos últimos anos no país.
O que aconteceu nas cidades
Em Lyon, além do posto de turismo, vários comércios foram danificados. O Ministério do Interior afirmou que os bombeiros enfrentaram obstáculos para agir por causa da ação de grupos violentos.
Leia também: Eurotúnel: ônibus e trem batem na França e deixam 19 feridos · Papa Leão XIV recebe alta do hospital Gemelli após cirurgia de câncer no pulmão
Em Marselha, manifestantes invadiram a prefeitura. Segundo o prefeito, depois de conversar com o primeiro-ministro e o ministro do Interior, o governo enviou reforços policiais à cidade. Em Avignon, o pátio da prefeitura do departamento de Vaucluse foi invadido, e em Grenoble o prédio da prefeitura sofreu danos. Lojas foram vandalizadas em Pau, Montpellier, Toulouse e Valence.
Em Paris, grupos de marchas não autorizadas tentaram chegar a prédios oficiais, entre eles o Palácio do Eliseu, e foram dispersados pela polícia. A Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, fora dos trajetos autorizados, tiveram forte presença policial. Parte dos manifestantes usou coletes de alta visibilidade, o que remete ao movimento dos “coletes amarelos”, que surgiu em 2018.
Por que as pessoas estão nas ruas
Os protestos começaram em setembro, em escolas de ensino médio de bairros pobres ao norte de Paris, com queixas sobre falta de professores e instalações precárias. Depois, a pauta se ampliou para desigualdade, gastos públicos e perda de poder de compra.
“Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço dos combustíveis está muito alto”, disse Lola, de 19 anos, manifestante ouvida em Paris.
O presidente Emmanuel Macron, que pediu calma na sexta-feira (16), está na reta final do mandato e sob pressão econômica. Segundo a CNN Brasil e o G1, os esforços para reduzir a dívida pública não tranquilizaram os investidores, e o custo de financiamento do governo está no maior nível em mais de duas décadas.
O que dizem governo e oposição
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, escreveu no X que “manifestações pacíficas têm seu lugar legítimo” na República, mas incêndios e saques, não. Ele atribuiu a violência a grupos de extrema-esquerda e afirmou que ninguém imporá sua agenda pela violência. Lecornu disse ainda que mais de 900 policiais ficaram feridos.
Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa (LFI), disse que o clima era “calmo e alegre” onde não havia policiais e culpou as autoridades pelos confrontos. Ele já foi acusado de incitar a violência, alegação que o partido nega. Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, responsabilizou o partido de Mélenchon e afirmou que as reivindicações sociais foram “feitas reféns pela extrema-esquerda”.
Como fica a atuação da polícia
O órgão que fiscaliza a polícia investiga pelo menos 24 denúncias de violência policial. Um jovem perdeu uma das mãos ao recolher uma granada de efeito moral em Saint-Étienne; segundo o jornal Le Progrès, citado pela Gazeta do Povo, o artefato foi lançado pela polícia.
A França havia suspendido o uso dessas granadas nos protestos estudantis, mas o ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que elas poderiam ser usadas neste sábado.
Lecornu também citou um projeto de lei que deve ser lido no Senado ainda em outubro. Pelo texto, participantes de tumultos poderiam ser responsabilizados financeiramente pelos danos causados por eles ou por outros manifestantes. “O custo deve ser arcado por eles”, disse o premiê.



