Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
--° São Paulo
Pernambuco

Incêndio na UFPE: o que se sabe sobre a investigação, o prejuízo de R$ 100 milhões e o novo prédio

PF ainda não entrou no prédio, que será escorado; governo promete edifício de R$ 28 milhões e bolsas prorrogadas

Siga o Trendou:XFacebookTelegram

Resumo rápido

  • A causa do incêndio de 7/10 na UFPE ainda é desconhecida; a PF aguarda o escoramento do prédio para a perícia presencial.
  • O prejuízo é estimado em R$ 100 milhões, com cerca de 200 dissertações e teses afetadas.
  • MEC promete prédio novo de R$ 28 milhões; MCTI anunciou R$ 40 milhões para equipamentos.

Cinco dias depois do incêndio que destruiu um prédio de laboratórios da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, a causa do fogo ainda não foi identificada. A Polícia Federal só poderá entrar no edifício depois que a estrutura for escorada, serviço que a reitoria estima levar cerca de 15 dias. O prejuízo calculado pela universidade é de R$ 100 milhões.

O fogo começou na noite de quarta-feira (7) no antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), no campus Recife. Não houve feridos. Abaixo, o que já se sabe sobre a investigação, as perdas e o socorro anunciado pelo governo federal.

O que pegou fogo?

O edifício tinha cerca de 3 mil metros quadrados em três andares e abrigava laboratórios de fármacos, genética, informática e inovação terapêutica, além de dependências da Faculdade de Educação Física. Entre os grupos atingidos está o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica (Nupit), que durante a pandemia fez testes de Covid-19 para mais de 130 municípios.

Os bombeiros trabalharam das 19h30 até cerca de 5h do dia seguinte, com oito viaturas. Os primeiros sinais do fogo foram vistos numa janela do último andar, onde funcionava um laboratório.

Qual é o tamanho do prejuízo?

  • R$ 100 milhões em equipamentos, insumos e materiais científicos, segundo o reitor Alfredo Gomes
  • Dados de cerca de 20 anos de pesquisa perdidos
  • Cerca de 200 dissertações e teses em andamento usavam os laboratórios atingidos

O reitor descartou risco de contaminação química ou biológica nas áreas vizinhas, incluindo as moradias estudantis, porque todo o material do prédio foi consumido. As atividades acadêmicas no restante do campus seguiram normalmente no dia seguinte.

O incêndio foi criminoso?

Não há conclusão. A PF abriu inquérito na quinta-feira (8) e dividiu a apuração em duas frentes: a origem do fogo e a sequência de fatos que antecederam o incêndio. Até a publicação desta reportagem, não havia suspeito identificado nem prisão.

Peritos usaram um drone e um robô com câmera para examinar o interior do prédio, que corre risco de desabar. Especialistas do Instituto Nacional de Criminalística, de Brasília, vão participar da perícia presencial. Os investigadores também analisam imagens de câmeras de segurança e a lista de pessoas que estavam no campus naquela noite, fornecida pela universidade.

O delegado regional executivo da PF em Pernambuco, Rodrigo Bastos, disse que o objetivo é identificar a origem do fogo e reconstituir a dinâmica dos fatos, e que depoimentos já estão sendo colhidos.

Que ameaças a PF investiga?

Antes do incêndio, circularam em redes sociais e grupos de estudantes mensagens com ameaças à universidade, incluindo menções a explosões em departamentos. O reitor pediu a investigação à PF depois desses relatos. A existência das mensagens, porém, não comprova que o fogo tenha sido provocado, e as autoridades afirmam não haver, por ora, evidência de crime.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, informou que o MEC vai pedir à Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da PF uma investigação específica sobre ameaças a universidades federais. A Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio, também acionou a polícia após receber mensagens parecidas.

Foi o primeiro incêndio na UFPE?

Não. Foi o terceiro em menos de duas semanas:

  • 30 de setembro: Laboratório de Óptica Não-Linear, no Departamento de Física; segundo o reitor, causado por um experimento
  • 4 de outubro: Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências; atribuído a um curto-circuito em ar-condicionado
  • 7 de outubro: prédio da antiga Dine, o maior dos três

Os dois primeiros ficaram restritos às salas e não deixaram vítimas. Gomes afirmou que o prédio da Dine passava por manutenção regular e que os produtos inflamáveis dos laboratórios estavam bem acondicionados.

O que o governo federal prometeu?

  • Novo prédio: o MEC vai construir um edifício de cerca de 7 mil m², mais que o dobro da área destruída, com custo estimado de R$ 28 milhões. A obra aproveitará o projeto executivo do campus de Sertânia e só começará depois da perícia.
  • Equipamentos: o MEC promete recomprar o que foi perdido, e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou R$ 40 milhões, geridos pela Finep, para repor aparelhos como espectrômetros e sequenciadores genéticos.
  • Apoio jurídico: a Advocacia-Geral da União criou uma força-tarefa para acompanhar a investigação criminal e documentar os danos ao patrimônio público, o que pode embasar um pedido de ressarcimento se houver responsável.

O que acontece com os alunos de pós-graduação?

Os bolsistas não perderão as bolsas, e os prazos para concluir mestrados e doutorados serão estendidos, segundo o MEC e a Capes. Doutorandos na fase final poderão concorrer a um chamamento especial para fazer estágio de doutorado-sanduíche no exterior, em instituições parceiras da Alemanha, da França e dos Estados Unidos. Mestrandos podem usar o mesmo programa ou terminar a pesquisa em outras universidades brasileiras.

Até esta segunda-feira (12), os critérios e prazos do chamamento especial ainda não tinham sido publicados.

Próximos passos

A universidade negocia um aditivo ao contrato de uma empresa que já presta serviços ao campus para fazer o escoramento. Só depois disso os peritos da PF entrarão no prédio para apontar onde e como o fogo começou. A construção do novo edifício depende da conclusão dessa perícia.

Leia também: a primeira notícia sobre o incêndio na UFPE.

Fontes consultadas

Agência Brasil — PF vai investigar incêndio na Universidade Federal de Pernambuco Agência Brasil — AGU cria força-tarefa para atuar em caso de incêndio na UFPE Radioagência Nacional — MEC anuncia medidas para recuperar prédio da UFPE após incêndio Folha de Pernambuco — Incêndio na UFPE: Polícia Federal utiliza robô e drone na perícia do prédio CartaCapital — MEC anuncia reconstrução de laboratórios da UFPE após incêndio O Povo — Incêndios na UFPE e ameaças a universidades federais: o que se sabe até agora NN1 — PF divide investigações sobre o incêndio que destruiu prédio da UFPE em duas frentes NC News — Prédio incendiado na UFPE será escorado para perícia presencial da Polícia Federal Brasil Inovador — MCTI destina R$ 40 milhões e prorroga bolsas para reestruturação científica após incêndio na UFPE

Produzida pela Redação Trendou com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das fontes acima. Política editorial · Pedir correção

Mais lidas agora

  1. 1Anitta posa de biquíni nos Lagos de Sal de Siwa, no Egito, e critica lixo deixado por turistas
  2. 2Agentes de IA da Anthropic enviam denúncia falsa de homicídio e tentam acessar sites do governo dos EUA
  3. 3Quem Ama Cuida: Brigitte descobre herança do pai e deve processar Pilar
  4. 4Vasco x Boca Juniors: Justiça manda liberar o Maracanã para a semifinal
  5. 5Calendário do Bolsa Família 2026: datas de pagamento de outubro, novembro e dezembro

Escolha sua cidade

Sem escolha, mostramos o tempo da cidade aproximada pela sua conexão. A escolha fica salva só neste aparelho.