Um cliente que comeu parte de um bolo com um rato morto dentro, em Porto Alegre, não apresentou sintomas, segundo a Polícia Civil. Ele consumiu o produto por cerca de três dias antes de perceber o animal. Por precaução, procurou um infectologista e recebeu um medicamento de profilaxia.
A delegada Milena Cimiolli, da Delegacia do Consumidor, disse que o homem deve ficar atento ao surgimento de sintomas durante 30 dias. O nome do cliente não foi divulgado.
Como o rato foi parar no bolo?
O bolo foi comprado na unidade Cavalhada da Casa de Bolos, na Zona Sul da capital gaúcha. Segundo a delegada, o cliente procurou a polícia cerca de três dias depois de comer o produto. O caso chegou à delegacia por meio de um registro de ocorrência.
Leia também: Ana Maria Braga diz à Veja que fez um aborto: “achava que não tinha outro caminho” · Flávio diz que Eduardo não será chanceler e que nomear Bolsonaro “não está no radar”
A polícia acredita que o animal já estava no forno e, ao tentar fugir, caiu na forma e foi assado junto com a massa. Segundo a delegada, o rato estava todo encoberto. A corporação descarta que o roedor tenha sido colocado de propósito e considera “quase impossível” que ele tenha entrado no bolo depois que o produto deixou a loja.
O que a fiscalização encontrou na loja?
A pedido da polícia, a Vigilância Sanitária fiscalizou a unidade. De acordo com a delegada, as condições de higiene eram muito precárias, com fezes de roedores sobre potes de alimentos e perto da área onde os bolos são feitos.
Outra unidade da rede, no Centro, foi vistoriada por causa de outras denúncias e tinha condições semelhantes, segundo a polícia. O site Hugo Gloss, que também ouviu a delegada, informa que os agentes encontraram ainda urina de roedores e produtos com prazo de validade vencido, e que os dois estabelecimentos foram interditados.

O que acontece com a dona da loja?
Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, proprietária de uma das unidades, foi presa em flagrante na quarta-feira (14). A prisão foi por suspeita de crime contra as relações de consumo, por vender produto impróprio para consumo.
Na quinta-feira (15), após a audiência de custódia, ela foi solta e vai responder ao caso em liberdade. Uma das condições da liberdade provisória é adequar o local às exigências sanitárias. Só depois disso a Vigilância Sanitária fará nova vistoria para verificar se a loja pode voltar a funcionar.
Em nota, os advogados Hoiama Homem Pareta e Ivan Pareta Júnior afirmaram que os fatos “estão sendo tratados com a máxima seriedade”. Segundo a defesa, a loja mantém há mais de 11 anos contrato com a mesma empresa de dedetização, sem intercorrências anteriores. Uma auditoria interna apura o caso, e a defesa cita entre os pontos a examinar a possibilidade de sabotagem por funcionário insatisfeito. A conclusão da polícia, de que o rato foi assado junto com a massa, diverge dessa hipótese, observou o Hugo Gloss, com base em informação do GZH.
A Casa de Bolos lamentou o caso, também em nota, e disse considerar inaceitável qualquer situação que coloque em risco a saúde e a segurança dos consumidores. A rede afirmou que as unidades são operadas por franqueados independentes, mas devem seguir os padrões sanitários da franqueadora, que conduz apuração interna.
Qual é a discussão sobre fiscalização?
Em coluna no GZH, o jornalista Paulo Germano lembra que a Câmara de Vereadores de Porto Alegre aprovou em 2020 uma lei que dispensou bares, restaurantes, padarias e confeitarias de alvará. Segundo ele, a vigilância passou a agir sobretudo após denúncias, e o próprio órgão admite que parte das cozinhas ficou pior depois da mudança. A coluna é opinião; as normas sanitárias seguem valendo.
A próxima etapa é a nova vistoria da Vigilância Sanitária, que vai verificar se a unidade pode reabrir. O cliente segue em observação até o fim do prazo de 30 dias.



