A médica e pesquisadora Thais Russomano morreu aos 63 anos, em Porto Alegre. A InnovaSpace, organização internacional da qual ela era cofundadora, confirmou a morte.
Segundo o site A Hora do Sul, ela estava internada no Hospital Moinhos de Vento e tratava um câncer. O dia da morte e a causa específica não foram informados.
Quem era Thais Russomano
Natural de Porto Alegre, ela cresceu em Pelotas e concluiu Medicina na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em 1985. Depois fez mestrado em Medicina Aeroespacial na Wright State University, nos Estados Unidos, e doutorado em Fisiologia Espacial no King’s College London, no Reino Unido.
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Passou pelo Centro Aeroespacial Alemão e, em 1999, fundou o Centro de Microgravidade da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), que coordenou por 18 anos. Também ajudou a criar o centro de estudos de medicina aeroespacial da Universidade de Lisboa, em Portugal.
Ao longo da carreira, estudou como o corpo humano responde ao ambiente espacial. Trabalhou ainda com engenharia biomédica e telemedicina e atuou na formação de profissionais em instituições de vários países.
Por que o método tem o nome dela
Na Terra, quem faz compressões no peito de um paciente conta com o peso do próprio corpo. Em microgravidade, a força aplicada pode empurrar o socorrista para longe da vítima.
O método Evetts-Russomano foi desenvolvido por ela e pelos pesquisadores Lisa e Simon Evetts. Nele, o socorrista usa as pernas para se manter junto ao paciente durante as compressões, sem precisar se firmar nas paredes da nave.
A InnovaSpace mantém à disposição um vídeo da técnica gravado em um voo parabólico de 2000, tipo de voo que cria breves períodos de microgravidade para experimentos.
Em 2020, as sociedades alemã e europeia de medicina aeroespacial publicaram uma diretriz que indica o método para a fase inicial da reanimação. Thais é uma das autoras do documento, voltado ao atendimento de parada cardíaca em voos espaciais.
O que ela disse sobre o espaço
Em entrevista à Agência Brasil, publicada anos antes de sua morte, ela contou que sonhava com o espaço desde os quatro anos e ganhou a primeira luneta aos sete. Disse também que chegou a avaliar, em 1998, uma candidatura a representante civil do Brasil em missões espaciais.
Na mesma conversa, falou sobre a Artemis, programa que deve levar a primeira mulher à Lua, e sobre o turismo espacial, que, na avaliação dela, ainda é caro. “Isso ainda está restrito, por ter um custo muito alto”, afirmou.
Informações sobre velório, sepultamento e homenagens não foram divulgadas até o momento.



