Os motoristas da Transwolff, que atuam na zona sul de São Paulo, retomam a greve a partir da meia-noite desta quarta-feira (21/10). A paralisação atinge as linhas D10 e D11. Segundo a categoria, houve retaliação contra quem participou do protesto anterior, com pelo menos três demissões por justa causa.
A prefeitura diz que o movimento é ilegal. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em vídeo, que já registrou boletim de ocorrência contra a paralisação e prometeu medidas judiciais.
Por que os motoristas voltaram a parar
Júnior Araújo, motorista e integrante da liderança da categoria, contou à CNN Brasil que recebeu um telegrama na manhã de terça-feira (20) com a notícia da demissão. “Na data de hoje (20), na parte da manhã, eu já recebi um comunicado por telegrama da empresa, dizendo que eu tinha sido dispensado por justa causa”, disse.
Ele afirmou ainda que a SPTrans entregou aos trabalhadores um documento que não respondia a nenhuma das questões discutidas durante a greve.
O advogado dos trabalhadores, Emerson Rosa, disse que a paralisação volta porque as empresas não esclareceram os valores do INSS que, segundo os motoristas, não estão sendo recolhidos. Ele também citou pendências relacionadas ao FGTS.

O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SINDMOTORISTAS) informou não ter recebido nenhuma comunicação oficial sobre a paralisação. Em nota, a entidade disse repudiar ações que prejudiquem os direitos da categoria e defendeu o diálogo e os canais de negociação.
O que diz a prefeitura
Nunes classificou a possível paralisação como criminosa e de “cunho claramente político”. Segundo ele, o ato de segunda-feira (19/10) ocorreu sem apoio do sindicato e sem aviso prévio, o que se enquadraria no artigo 262 do Código Penal, sobre atentado contra a segurança de meio de transporte público.
O prefeito afirmou que os três funcionários demitidos foram os responsáveis pelo ato e que agora querem parar de novo por causa das demissões.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans sustentam que a greve não cumpre a lei, que exige aviso prévio de 72 horas ao público em paralisações do transporte coletivo. Em nota ao Metrópoles, a gestão municipal disse que a SPTrans deposita o INSS e o FGTS em juízo, à espera de decisão da Justiça, e que o plano de saúde está em fase de licitação. Quem deixou de trabalhar no ato de segunda terá o dia descontado.

A SPTrans afirma ainda que cumpre todos os direitos trabalhistas e que salários e benefícios estão em dia.
Quantos passageiros foram afetados
Na paralisação de segunda-feira, 34 linhas do lote D10 foram impactadas. De acordo com a CNN Brasil, elas atendem mais de 267 mil passageiros da região sul. A prefeitura informou ao Metrópoles que 267 mil passageiros foram afetados; Nunes, no vídeo, falou em 300 mil pessoas prejudicadas.
O Paese (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado e cobriu o serviço até as garagens voltarem ao normal. Não há informação divulgada sobre quantas linhas devem parar nesta quarta-feira.
O histórico da Transwolff
A empresa está sob intervenção da prefeitura desde abril de 2024, quando o Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu a Operação Fim da Linha, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo paulistano. A SPTrans assumiu a gestão das operações em dezembro de 2025, depois que a prefeitura decretou a caducidade dos contratos.
A CNN Brasil informou que procurou a SPTrans e a Transwolff e não obteve resposta até o fechamento de sua reportagem.



