A Polícia Civil de São Paulo prendeu três pessoas nesta terça-feira (13) em uma operação contra plataformas digitais suspeitas de aplicar golpes com cassino virtual e promessas de ganhos por tarefas on-line. A Justiça autorizou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 154 milhões.
A ação, batizada de Operação Disque 151, é conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Os mandados são cumpridos na capital paulista e em Mogi das Cruzes, segundo a Agência SP.
Como funcionavam as plataformas, segundo a polícia
A investigação identificou duas plataformas suspeitas de fraude, cada uma com uma estratégia para levar o usuário a depositar dinheiro.
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- FortuneSlots: funcionava como cassino virtual. Os usuários eram incentivados a depositar por Pix e, em alguns casos, recebiam pequenos pagamentos para estimular novos depósitos. Ao tentar sacar valores maiores, esbarravam em exigências de novos pagamentos.
- ThinkTV: prometia remunerar tarefas simples, como assistir a vídeos, avaliar conteúdos e curtir páginas. Depois do cadastro e de um depósito inicial por Pix, o usuário era levado a enviar mais dinheiro para liberar supostos ganhos. Segundo a investigação, o dinheiro acabava bloqueado, e o usuário não conseguia reavê-lo.
O caso começou com reclamações registradas no Procon-SP. De acordo com a Agência SP, o órgão identificou aumento de queixas contra plataformas de apostas on-line, principalmente pela falta de pagamento de prêmios. O nome da operação faz referência ao Disque 151, canal de atendimento do Procon-SP.
Para onde ia o dinheiro
O delegado Fernando David de Melo Gonçalves, titular da 3ª Delegacia da DIG, do Deic, afirmou que a fase externa da operação foi deflagrada após dois anos de investigação sigilosa, iniciada em 2024. Segundo ele, o trabalho levou a duas contas-bolsão com titulares ocultos, para as quais os valores das apostas eram transferidos e depois pulverizados.
A polícia diz que os recursos passavam ainda por contas intermediárias até chegar a pessoas físicas e jurídicas. Para os investigadores, a estrutura servia para dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.
Os números divulgados pelas duas fontes não coincidem por completo. Segundo o G1, a análise financeira do Deic identificou R$ 38,5 milhões em transações bancárias monitoradas, das quais R$ 14,05 milhões tiveram o fluxo rastreado. Já a Agência SP menciona mais de 38,5 milhões de operações financeiras ligadas aos investigados e afirma que o grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões em seis meses.

Também há diferença na estimativa de pessoas afetadas. O G1 informa que mais de 10 milhões de apostadores e vítimas estão relacionados às plataformas, segundo os investigadores. A Agência SP fala em cerca de 10 milhões de pessoas possivelmente prejudicadas.
Quais medidas a Justiça autorizou
A Justiça autorizou o bloqueio patrimonial contra seis pessoas físicas e cinco pessoas jurídicas. R$ 154 milhões é o valor máximo estimado dos bens e recursos que podem ser atingidos.
Além das três prisões, foram expedidos seis mandados de busca e apreensão, duas quebras de sigilo bancário e duas de sigilo telemático. O Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público de São Paulo, participou da investigação. Os nomes dos presos e as acusações formais não foram informados nas fontes consultadas.
O que diz a regra federal sobre apostas
A operação ocorre menos de um mês depois de o governo federal proibir, por medida provisória publicada em 25 de setembro de 2026, a exploração e a oferta de apostas no território nacional. A norma vale para apostas esportivas e jogos de cassino on-line, inclusive os oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas no Brasil.
A proibição também alcança a intermediação e a publicidade, além de autorizações dadas por estados e pelo Distrito Federal. O governo fixou um período de transição para o encerramento das operações e procedimentos para devolver aos apostadores os valores mantidos nas plataformas. Antes da medida, as bets podiam operar com autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Outras modalidades lotéricas autorizadas por lei ficam fora da proibição.
As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e novos integrantes da organização suspeita. As fontes consultadas não informam canais de atendimento para vítimas nem prazos de devolução de valores.



