O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) demitiu pela segunda vez o tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Oliveira Velozo, absolvido pelo Tribunal do Júri pela morte do lutador Leandro Lo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado, e a defesa do policial afirmou que vai recorrer.
A data da publicação varia conforme a fonte. A Folha de S.Paulo e o Metrópoles citam a quarta-feira (21), enquanto o G1 informa a terça-feira (20).
Por que a primeira demissão foi suspensa?
Velozo foi demitido pela primeira vez em setembro de 2025. A defesa recorreu à Justiça e obteve uma decisão que o reintegrou à corporação. Segundo o G1, ele passou a receber salário bruto mensal de R$ 14,6 mil.
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Ainda de acordo com o G1, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) derrubou em fevereiro deste ano a liminar que garantia o pagamento parcial. Os desembargadores entenderam que a demissão é um “ato administrativo vinculado”: depois que o Tribunal de Justiça Militar decreta a perda do posto e da patente, o governador apenas cumpre a determinação. A corte também rejeitou o argumento de que o tenente deveria ficar no cargo até não haver mais possibilidade de recurso.
Para chegar ao novo decreto, o governo paulista obteve uma decisão judicial que permite restabelecer a demissão antes do trânsito em julgado do acórdão do Tribunal de Justiça Militar, informou o G1. Com isso, Tarcísio tornou sem efeito o decreto que havia suspendido a primeira demissão.
O Metrópoles apresenta números diferentes. Segundo o site, esse decreto de suspensão foi publicado em 29 de setembro de 2026, data que não coincide com a cronologia das demais fontes. O site também diz que, nesse período, Velozo ficou afastado e recebia um terço de R$ 12.697,38, valor que não bate com os R$ 14,6 mil citados pelo G1. As reportagens não explicam a diferença.
O que dizem a defesa e a família
O advogado Claudio Dalledone, que defende Velozo, disse ao G1, por mensagem, que se trata de “uma decisão passível de recurso e que a defesa irá combater”. Após a absolvição, ele havia afirmado que “o reconhecimento da legítima defesa restabeleceu a verdade e alcançou a justiça”.
Adriano Vanni, que representa Fatima Lo, mãe do lutador, afirmou ter recorrido da absolvição. Segundo ele, existem nulidades capazes de anular o julgamento, e a decisão é contrária às provas dos autos. O Ministério Público também recorreu, e esse recurso ainda não foi julgado.
Relembre o caso Leandro Lo
Leandro Lo tinha 33 anos quando foi baleado na cabeça, na madrugada de 7 de agosto de 2022. Ele estava em um show do grupo de pagode Pixote, no Esporte Clube Sírio, no bairro Planalto Paulista, em São Paulo.
Segundo a investigação, Velozo deixou o local, foi a um prostíbulo e, depois, a um motel na Marginal Pinheiros. Ele se entregou à Corregedoria da PM na mesma noite. Ficou três anos preso no presídio militar Romão Gomes, na zona norte, até ser solto após a absolvição.
O Metrópoles informa que o júri o absolveu em 14 de novembro de 2025. Segundo o G1, os jurados entenderam que ele agiu em legítima defesa. Já solto, Velozo gravou um vídeo em que disse ter chegado a uma situação-limite e ter tido de “sujar as mãos” para preservar a vida. Ele pediu perdão à família de Lo.
O que acontece agora
Com o novo decreto, a punição de setembro de 2025 volta a valer. Segundo o G1, Velozo deixa os quadros da Polícia Militar e perde o direito à remuneração de integrante da corporação.
- Demissão: a defesa diz que vai recorrer do novo decreto, mas não informou quando.
- Absolvição: o recurso do Ministério Público segue sem julgamento, e nenhuma data foi divulgada.



