Quem comprou ingressos pela Ticketmaster no Brasil ao longo de 2025 pode ter tido dados pessoais expostos. A empresa confirmou o vazamento e começou a avisar os clientes afetados por e-mail na quarta-feira (14), segundo o Canaltech. Ela atribui a falha a uma ferramenta de análise de dados de um fornecedor terceirizado, ainda não identificado.
Até esta segunda-feira (19), a Ticketmaster não informou quantas pessoas foram atingidas nem quando o problema começou.
Quais dados podem ter sido expostos?
Segundo a Ticketmaster, entraram no vazamento nome, CPF, e-mail e informações ligadas às compras de ingressos. O site americano TicketNews, ao descrever as notificações relatadas pela imprensa brasileira, cita ainda sexo, faixa etária ou data de nascimento, telefone e localização residencial.
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Outro documento de identificação informado na compra, a forma de pagamento e os quatro últimos dígitos do cartão de crédito também podem ter sido atingidos. O conjunto varia conforme o que cada pessoa informou na hora de comprar.
O que a empresa diz que não foi afetado?
Em nota, a Ticketmaster Brasil afirmou que “a plataforma de venda de ingressos e os sistemas de contas dos fãs não foram afetados”. A companhia diz que também não houve exposição de números completos de cartão, de contas bancárias nem de credenciais de acesso às contas.
Segundo a empresa, a falha foi uma vulnerabilidade temporária na ferramenta de terceiros, e o banco de dados atingido não é o mesmo usado para vender ingressos e gerenciar perfis. A Ticketmaster afirma ter tomado medidas imediatas para conter o problema e ter contado com especialistas externos em cibersegurança na investigação.
Por que o aviso demorou?
De acordo com os e-mails enviados aos clientes, a investigação terminou em setembro. Os avisos, porém, só começaram em 14 de outubro. A empresa não explicou esse intervalo de semanas, nem disse quando descobriu a falha ou quando confirmou que dados pessoais tinham sido expostos.
A Resolução CD/ANPD nº 15/2024 prevê, em regra, que a empresa comunique a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e os titulares em até três dias úteis depois de tomar conhecimento de um incidente que atinja dados pessoais, quando houver risco relevante. A norma também aceita informações preliminares, complementadas depois. Segundo o TicketNews, o intervalo entre setembro e outubro não prova descumprimento sozinho. Para isso, seria preciso saber quando a empresa soube que dados pessoais tinham sido afetados.
O Olhar Digital informou em 15 de outubro que a Ticketmaster confirmou ter comunicado a ANPD, sem dizer quando. O TicketNews procurou a autoridade, que respondeu nesta segunda-feira que encaminhou as perguntas à área técnica. A ANPD não disse se abriu fiscalização.
O que o cliente pode fazer agora?
- Trocar a senha da conta, medida que o Canaltech recomenda mesmo com a empresa dizendo que as credenciais não foram expostas.
- Desconfiar de mensagens, ligações e e-mails que usem nome, CPF ou dados da compra. Segundo a Ticketmaster, os canais oficiais não pedem senhas, meios de pagamento ou dados sensíveis sem aviso prévio.
- Tirar dúvidas pelo e-mail incidente-dados@ticketmaster.com.br, indicado pela empresa.
A Ticketmaster também não informou se o incidente se estendeu além do Brasil. O TicketNews procurou a empresa e a controladora Live Nation Entertainment em busca de mais detalhes.
A próxima etapa é a resposta da ANPD às perguntas enviadas pelo TicketNews, que ainda não tem prazo definido.



