O juiz Gustavo de Castro Campos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP), foi encontrado morto e carbonizado dentro de um carro em chamas na noite de quarta-feira (7), em uma área rural de São João da Boa Vista, no interior paulista. A causa da morte não foi esclarecida, e a Polícia Civil investiga o caso.
O veículo estava em uma área ligada a uma fazenda. Segundo o boletim de ocorrência, um homem que viajava pela Estrada de Terra Euclides Dotta viu o carro em chamas e foi até uma empresa próxima pedir ajuda. Um funcionário com acesso a uma retroescavadeira tentou apagar o fogo lançando terra sobre o automóvel.
Como o corpo foi encontrado?
O funcionário disse à polícia que não notou ninguém dentro do carro, porque os vidros eram escuros e havia muita fumaça.
Com o fogo controlado, os bombeiros localizaram o corpo no banco do motorista, parcialmente carbonizado. Na avaliação preliminar dos peritos, não havia ferimentos aparentes de arma de fogo ou arma branca, nem marcas visíveis de violência. O boletim também não aponta indícios de que algo tenha sido levado do carro.
Segundo o documento, a aliança continuava no dedo do juiz, e a carteira estava no console da porta. A identificação se baseou em uma tatuagem no lado esquerdo do abdômen e nos documentos que estavam na carteira.
O que a polícia encontrou no carro?
- Um galão com cheiro de gasolina, perto dos pedais do motorista.
- Forte odor de gasolina no corpo, segundo o boletim.
- Nenhuma marca visível de violência, na avaliação preliminar dos peritos.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passa por exame necroscópico.
O que a polícia investiga?
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Estão previstas a análise de imagens coletadas no local, a oitiva de testemunhas e a espera pelos laudos periciais.

De acordo com o Migalhas, nenhuma hipótese foi descartada neste início de investigação. Até o momento, as informações públicas não permitem apontar a causa da morte.
O UOL publicou reportagem cujo título diz que câmeras mostrariam o juiz comprando gasolina antes de morrer. Essa informação não consta do boletim de ocorrência descrito pelos demais veículos e não há confirmação oficial até agora.
Quem era Gustavo de Castro Campos?
Ele nasceu em Mogi das Cruzes (SP), em 1981, e se formou em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas. Antes da magistratura, advogou por dez anos.
Em 2014, atuou como delegado da Polícia Civil do Espírito Santo e, no mesmo ano, passou a ser juiz substituto na Justiça capixaba. Estava no TJ/SP fazia 12 anos e trabalhou nas comarcas de Tambaú, Leme e Mococa. Segundo o Migalhas, era titular da 2ª Vara de Mococa.
Em 2022, foi alvo de uma acusação de ofensa à honra de um advogado, depois de um desentendimento durante um julgamento. O Órgão Especial do TJ/SP arquivou o caso por considerar que a acusação não se sustentava e apontou comportamento provocativo do advogado.
O que diz o tribunal?
Em nota, o TJ/SP lamentou a morte e se solidarizou com familiares e amigos. O tribunal registrou, “com gratidão”, a dedicação e as contribuições do magistrado ao longo da carreira, e informou que as circunstâncias do caso são investigadas pelas autoridades competentes.
A apuração segue com a DIG de São João da Boa Vista, que aguarda os laudos periciais. Não há prazo divulgado para a conclusão do inquérito.



