O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, chamava Daniel Vorcaro de “irmão” e contou a ele ter saído em sua defesa numa reunião com o presidente e um diretor do Banco Central. É o que mostram mensagens que a Polícia Federal encontrou no celular do dono do Banco Master, divulgadas nesta terça-feira (13) pela Revista Oeste e por outros veículos.
Em nota, Sidney afirmou que as conversas tratam de relação pessoal e de diálogo institucional com bancos associados, e negou ter favorecido o Master.
O que dizem as mensagens
As trocas começam em dezembro de 2023, segundo os relatos publicados. Nelas, Sidney diz que a lealdade era o maior prestígio que podia oferecer a Vorcaro. Os principais pontos:
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- Defesa no BC: Sidney relata ter defendido o banqueiro diante do presidente do Banco Central e de um diretor da autoridade monetária.
- Visita ao banco: ele conta ter levado diretores da Febraban e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ao Master para mostrar que as operações eram sólidas.
- Regras do FGC: Sidney pediu ao BC um período de transição para as novas regras do fundo aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional. Vorcaro chamou a mudança de “absurdo” e disse que ela servia para freá-lo; também afirmou que o Itaú buscava o caos.
- Conselho político: o presidente da Febraban recomendou ao banqueiro não assumir o desgaste político da mudança.
- Campos Neto: no começo de 2024, Sidney relatou uma reunião com Roberto Campos Neto, então presidente do BC, sobre Open Finance, e disse que ele pretendia receber Vorcaro.
- Viagem a Londres: os dois combinaram viagens e eventos, entre eles um fórum na capital inglesa. Ao falar da ida, Sidney se mostrou preocupado com a exposição e disse que ambos tinham um “alvo mais relevante”.
Febraban alertou o BC sobre o Master?
Sim, e esse é o argumento central da defesa. Entre 2023 e 2025, Sidney enviou ao Banco Central apresentações e três ofícios assinados por ele alertando para o crescimento e a agressividade da captação do Master, apoiada na garantia do FGC. A federação também apoiou em público a liquidação do banco e a responsabilização de seus gestores.
O que Isaac Sidney diz
Na nota, o executivo afirma que as menções a lealdade e defesa refletem relações pessoais e o trato institucional com as instituições associadas. Ele nega favorecimento ou conduta ilícita e diz que, na época, não tinha como prever que Vorcaro seria acusado de fraude.
O empréstimo e o depósito de R$ 700 mil
As mensagens se somam a revelações anteriores. Em julho, veio a público que Sidney tomou um empréstimo de R$ 5,5 milhões no Master em 2020 para comprar um apartamento duplex. Segundo a Folha de S.Paulo, documentos apresentados por ele indicam que a dívida foi quitada em dezembro de 2021. Sidney disse que a divulgação foi retaliação às críticas que fez ao banco.

Em setembro, a Folha publicou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registra um TED de R$ 700 mil feito por Sidney em 8 de junho de 2022 para a Super Empreendimentos, empresa que as investigações ligam a Vorcaro e ao cunhado dele, Fabiano Zettel. Naquele mês, a conta recebeu R$ 9,9 milhões, dos quais R$ 9,2 milhões vieram de Zettel.
Sidney afirma que o valor se refere à compra de recebíveis por meio de um contrato de cessão, declarada no Imposto de Renda e paga com recursos próprios. Ele nega ter investido na Super ou recebido dinheiro dela. A Febraban disse que não comenta assuntos privados de seus executivos.
Em março, o Metrópoles revelou que Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, citou Sidney em depoimento à PF sobre a venda de uma fazenda a Vorcaro. A Febraban respondeu que a cronologia afasta qualquer participação do presidente, e a própria defesa do ex-diretor disse que Sidney nunca indicou o banqueiro a ele.
Quem vai assumir a Febraban
A troca no comando já estava marcada. No fim de agosto, a federação anunciou que Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira de Bancos Comerciais (ABBC), vai suceder Sidney. A Febraban tratou a mudança como sucessão planejada: o executivo comunicou em 2025 que ficaria só dois mandatos. A transição vai até o fim de outubro.
Em que pé está o caso Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, no maior rombo da história do FGC. Vorcaro está preso. Em depoimento à PF em 30 de setembro, ele negou participar de grupos chamados “A Turma” e “Os Meninos” e de atos de intimidação contra rivais, segundo a Folha de Pernambuco; a defesa pediu a soltura.
Os próximos passos dependem das investigações da PF sobre o conteúdo do celular de Vorcaro. Na Febraban, Sidney fica até o fim de outubro, quando Vilain assume, depois do segundo turno das eleições.



