A Justiça Federal do Rio de Janeiro tornou réus 12 ex-executivos das Lojas Americanas. Eles são acusados de participar de uma fraude contábil que o Ministério Público Federal (MPF) estima em pelo menos R$ 22,8 bilhões, segundo informou a Gazeta do Povo.
A denúncia foi apresentada em 2025 e aceita pela 6ª Vara Federal Criminal. O processo tramita sob segredo de Justiça.
Do que os ex-executivos são acusados
Os 12 réus respondem por associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove dos investigados também foram indiciados por uso de informação privilegiada.
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De acordo com os procuradores, as fraudes teriam sido executadas e mascaradas por integrantes da diretoria, que levavam aos conselheiros da companhia relatórios com informações distorcidas. As irregularidades vieram à tona em 2023, e a varejista pediu recuperação judicial por causa do alto volume de dívidas e de problemas contábeis.
A denúncia original incluía 13 ex-executivos e ex-funcionários. Um deles, Márcio Cruz Meirelles, firmou depois um acordo de colaboração premiada.

O que diz a Americanas
Procurada, a empresa disse que ainda não teve acesso à decisão. Afirmou confiar na atuação das autoridades para responsabilizar os envolvidos.
“A companhia reforça que foi vítima de uma fraude estruturada e de natureza dolosa cometida pelos ex-executivos”, afirmou a empresa.
Por que os acionistas de referência ficaram de fora
Os empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, acionistas de referência da Americanas, não estão entre os denunciados. Segundo os procuradores, as delações e as provas colhidas em mais de três anos de apuração não apontavam que eles tivessem mandado fraudar os balanços ou soubessem que isso ocorria.
Como a empresa está hoje
A recuperação judicial durou três anos e terminou em março de 2026. A dívida, de mais de R$ 40 bilhões, foi reduzida com venda de ativos, desinvestimento e entrega de imóveis, entre outras medidas.
A rede de lojas encolheu 23%: eram 1,8 mil unidades em 2023 e hoje são 1,4 mil em operação. A companhia também deixou a sociedade de redes como Imaginarium, Puket, Hortifruti Natural da Terra e BR Mania.
Como o processo está sob sigilo, não há data divulgada para audiências ou julgamento. Todos os acusados seguem tratados como réus, sem condenação.



