O Corinthians e a Caixa Econômica Federal assinaram nesta sexta-feira (16), em Brasília, um termo de confidencialidade para negociar a dívida da Neo Química Arena, estimada em cerca de R$ 630 milhões. A reunião teve a presença do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, e de integrantes da Gaviões da Fiel, a maior torcida organizada do clube.
Em nota conjunta, banco e clube disseram ter avançado na “avaliação de alternativas para o aprimoramento da relação entre as partes”. Não houve acordo fechado, e nenhum dos dois divulgou valores, prazos ou as condições em discussão. O termo assinado serve justamente para manter sob sigilo as informações trocadas daqui em diante.
O que o Corinthians pôs na mesa
Segundo a revista Placar e o Lance!, a principal proposta do clube é ceder à Caixa os naming rights do estádio, hoje com a Hypera Pharma, dona da marca Neo Química. O contrato atual, de 2020, rende cerca de R$ 15 milhões por ano, corrigidos pela inflação. A diretoria avalia que o nome do estádio vale perto de R$ 70 milhões por temporada e quer que esse valor seja usado para abater a dívida.
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O pacote apresentado ao banco inclui ainda:
- levar para a Caixa toda a operação financeira do clube, com contas e folha de pagamento de funcionários e atletas;
- lançar títulos de capitalização ligados ao Corinthians;
- criar cartões e produtos para o Fiel Torcedor, o programa de sócios.
Participaram da reunião o presidente Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho, de acordo com o Lance!.
De onde vem a dívida
O financiamento do estádio, inaugurado em 2014, começou em 2013, quando o clube obteve crédito de até R$ 400 milhões. Desde então o contrato foi renegociado mais de uma vez. O acordo em vigor, fechado na gestão de Duilio Monteiro Alves, prevê quitação até dezembro de 2041, juros de CDI mais 2% ao ano pagos desde 2023 e amortização do saldo a partir de 2025, segundo a Rádio Tupi.

A dívida da arena é só uma parte do problema. O endividamento total do Corinthians está em torno de R$ 2,8 bilhões, e o balancete de julho mostrou déficit de R$ 278,7 milhões nos sete primeiros meses de 2026, bem acima dos R$ 77,8 milhões previstos no orçamento, segundo a Gazeta Esportiva.
O que a Caixa já concedeu
Antes da reunião de sexta, o banco já tinha aliviado o caixa do clube em duas frentes:
- Parcela suspensa: a terceira prestação de 2026 do refinanciamento, de cerca de R$ 27 milhões, venceu em 25 de setembro e teve o pagamento interrompido enquanto durarem as conversas, informou a Gazeta Esportiva.
- Dinheiro da conta reserva: a Caixa liberou R$ 13,5 milhões que estavam retidos numa conta de garantia do contrato. A diretoria usou o valor para pagar salários atrasados do elenco masculino, segundo a Placar.
A torcida também tentou ajudar. A vaquinha “Doe Arena”, criada pela Gaviões em novembro de 2024, arrecadou R$ 41,4 milhões, o equivalente a 5,92% da meta, de acordo com o Lance!.
Qual é o papel do governo
A Caixa é um banco público, controlado pela União. O interesse do Palácio do Planalto no caso não é novo. Em 16 de setembro, no podcast Desce a Letra, o presidente Lula, candidato à reeleição, disse que estava “tentando ajudar” o clube e que tinha conversado com o presidente da Caixa. Na mesma entrevista, sugeriu vender a Fazendinha, no Parque São Jorge, para pagar o estádio, conforme o Terra.
A presença de Boulos na reunião, a nove dias do segundo turno, provocou críticas. A Revista Oeste relatou que opositores do governo veem na negociação um gesto eleitoral e temem prejuízo às contas do banco estatal. Nem a Caixa nem o clube comentaram, na nota, o motivo da participação do ministro.
Próximos passos
As duas partes disseram que as conversas continuam, sem data para terminar. O modelo proposto pelo Corinthians, em que a Caixa exploraria o nome do estádio por um período determinado, ainda depende da avaliação do banco, segundo a Tupi. Até lá, a parcela de setembro segue suspensa e o saldo devedor da arena permanece o mesmo.



