O escritório do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, aparece com R$ 100.021,67 em débitos tributários inscritos em dívida ativa na Receita Federal. A informação, baseada em dados públicos, foi publicada nesta terça-feira (20) pela coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo.
No mesmo dia, o jornal O Globo revelou um relatório da Polícia Federal (PF) que detalha os vínculos entre o advogado e o senador. Os assuntos são distintos: a dívida é do escritório, e as reportagens não relacionam o débito à investigação.
De que é feita essa dívida?
A Folha explica que dívida ativa é a situação em que a empresa deixa de pagar o que deve. Segundo o jornal, o escritório de Tomaz chegou a entrar no Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), em 2019, mas ainda mantém pendência com o fisco.
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Consultado pela coluna, o escritório disse desconhecer qualquer débito. As reportagens não informam a origem do valor nem se há parcelamento em andamento.
O que a PF aponta sobre Flávio Bolsonaro?
Segundo O Globo, o relatório integra um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro. A apuração começou no Rio Grande do Sul, sobre supostos crimes de evasão de divisas e lavagem por meio de plataformas de apostas esportivas, as bets. Depois que surgiram menções a Flávio, o caso foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator.
De acordo com o jornal, o documento traz estes elementos:
- Conta bancária: Flávio figurava como “usuário master” da conta da Alcazar Holding, empresa que tem Tomaz como controlador, segundo a PF. Um e-mail de 22 de maio de 2025 pediu a exclusão do acesso dele.
- Viagens: a Cathedral, outra empresa controlada pelo advogado e sediada no exterior, teria bancado voos em um jato Challenger 350 de Lisboa a Nice, em 11 de abril de 2025, e de Cascais a Nice, em 23 de maio de 2025. Familiares dos dois aparecem na lista de passageiros.
- Aplicativo: o celular de Tomaz tinha Flávio entre os contatos favoritos do Confide, aplicativo que destrói as conversas depois de lidas.
- Fotos: o material extraído do celular inclui imagens dos dois em festas, jantares e confraternizações.
Para a PF, esses dados, analisados em conjunto com os demais vínculos, sustentam a “hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato” de Flávio na empresa. É uma hipótese dos investigadores, não uma conclusão comprovada.
O que dizem os citados?
Tomaz afirmou ao Globo que não mantém relação comercial ou financeira com o senador. Flávio não se manifestou sobre o relatório e, em ocasiões anteriores, negou irregularidades, segundo o jornal. Sobre os voos entre Portugal e França, a Folha registra que ele já havia dito que a relação com o advogado é exclusivamente de amizade.
As fontes divergem sobre a situação jurídica do senador. O Globo afirma que Flávio e Tomaz são investigados, e a Folha também menciona que Flávio é alvo de investigação. A campanha dele, porém, disse à Folha que o senador não é investigado no STF, porque os autos ainda não foram convertidos em inquérito: a Procuradoria-Geral da República (PGR) não se manifestou e não houve decisão judicial.
A Folha informa ainda que Tomaz é investigado em inquérito ligado às fraudes no caso do INSS, em que a PF apura movimentações suspeitas de ocultar a origem de recursos ilícitos. As duas reportagens, portanto, descrevem o objeto da investigação de formas diferentes.
Tomaz e Flávio negam ter cometido crimes. As reportagens não mencionam denúncia nem condenação.
Quando o caso avança?
Segundo a campanha de Flávio, os autos só serão convertidos em inquérito quando houver manifestação da PGR ou decisão judicial. O segundo turno da eleição presidencial será no domingo (25), quando Flávio enfrenta o presidente Lula (PT).



