O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu desculpas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta sexta-feira (23), durante o debate da TV Globo. Antes, Flávio havia usado a expressão “nove dedos” numa referência ao dedo que Lula perdeu em um acidente de trabalho, e o presidente reagiu no segundo bloco exigindo retratação.
“Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de ‘nove dedos’, então eu te peço desculpas de verdade. Não queria te ofender”, disse Flávio, segundo o Metrópoles.
O debate foi o último encontro direto entre os dois antes do segundo turno, que acontece no domingo (25).
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O que Flávio disse antes do pedido de desculpas?
A frase surgiu numa discussão sobre a tarifa zero nos ônibus aos fins de semana. Flávio criticava a carga tributária do governo quando afirmou: “Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”. Segundo a Jovem Pan, a fala arrancou risos.
Lula reagiu e cobrou a retratação. “Quem perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando de noite que não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir”, declarou.
O presidente também chamou o adversário de “granfino” e acusou: “Ele não sabe o que é carteira de trabalho, o primeiro emprego dele foi falso, no gabinete do pai”.
Como foi o acidente de Lula?
Segundo o Metrópoles, Lula perdeu o dedo mínimo da mão esquerda quando trabalhava como torneiro mecânico na Metalúrgica Independência, em São Paulo. Uma prensa atingiu a mão dele durante o turno da madrugada.
A Jovem Pan informa que o caso aconteceu na adolescência dele. Lula disse, no debate, ter perdido o dedo aos 17 anos.
Quais outros temas apareceram no debate?
No primeiro bloco, os candidatos apresentaram propostas para as regiões do país. Em infraestrutura, Flávio disse que o Brasil voltou a ser um cemitério de obras e citou 11.500 obras paradas. Lula respondeu que nenhum governo investiu tanto em infraestrutura e falou em um programa de mais de R$ 1 trilhão, com hidrovias, estradas e aeroportos, feito com a participação dos governadores.
Sobre a tarifa zero, Flávio disse ser a favor do projeto que prevê gratuidade nos fins de semana. A Jovem Pan lembra que ele havia criticado a proposta de Lula em uma transmissão ao vivo em 15 de outubro. O senador também prometeu reajustar aposentadorias acima da inflação.
Lula pediu várias vezes que o público consultasse o Google para conferir os dados citados pelo adversário. Flávio reagiu: “Quem governa o Brasil: você ou o Google?”. Sobre o Nordeste, o senador afirmou que a região não é um problema para o Brasil, e sim uma solução. Lula respondeu que o “Nordeste é tratado com desdém”.
Licença-maternidade e Bolsa Família
No segundo bloco, Lula perguntou por que Flávio foi o único a votar contra a ampliação da licença-maternidade. O senador respondeu que estava errado na época e que mudou de visão depois de se casar e ter um filho.
Lula também questionou por que Flávio chamou o Bolsa Família de “Bolsa Farelo”. Segundo a Jovem Pan, o senador não respondeu a essa pergunta.
Sigilos bancário, fiscal e telefônico
De acordo com a Jovem Pan, os dois candidatos tinham concordado com a quebra imediata e simultânea dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, com divulgação em site público. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relator do caso, liberou na quinta-feira (22) a quebra do sigilo bancário.
O debate desta sexta foi o segundo encontro entre os candidatos na campanha. O primeiro foi o debate da Band, em parceria com a Jovem Pan. A votação do segundo turno é no domingo (25).



