Quem quiser conferir as falas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) durante o debate do 2º turno poderá acompanhar a checagem em tempo real. O confronto vai ao ar na TV Globo nesta sexta-feira (23), às 21h20, depois do Jornal Nacional. Pelo menos três iniciativas dizem que vão verificar as afirmações feitas no palco.
A cobertura mais ampla é a do Fato ou Fake, serviço de checagem do Grupo Globo. Segundo o g1, uma equipe de mais de 30 jornalistas do grupo trabalhará em conjunto na cobertura. As primeiras análises saem durante o debate no g1 e nos sites de O Globo, Valor Econômico, Extra e da rádio CBN. O trabalho segue pela madrugada, até que toda a apuração esteja concluída.
Como o Fato ou Fake escolhe o que checar
Repórteres e editores assistem ao debate e escolhem as falas que podem ser verificadas com dados e informações objetivas. Opiniões, ofensas e projeções sobre o futuro não entram.
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A transcrição das falas é feita em tempo real, com apoio de tecnologia e supervisão de jornalistas. Cada declaração selecionada fica com um repórter. Algumas checagens são rápidas, feitas com dados oficiais ou públicos. Outras dependem de entrevistas com autoridades ou especialistas e levam mais tempo.
O serviço usa três selos para classificar as declarações:
- #FATO
- #NÃOÉBEMASSIM
- #FAKE
Cada checagem traz o passo a passo da apuração e as fontes consultadas. A GloboNews terá um programa especial logo após o debate, com as checagens da equipe.
O que fazem Folha e Agência Lupa
A Folha de S.Paulo e a Agência Lupa vão classificar cada afirmação analisada como verdadeira, falsa, exagerada ou sem contexto. O leitor verá uma explicação curta e o link para a análise completa no site da Lupa.
Serão cinco transmissões ao vivo no Instagram, nos perfis @folhadespaulo e @agencia_lupa. Nos intervalos, o jornalista Bruno Ribeiro conversa com um checador da Lupa sobre os destaques do bloco anterior. A última transmissão vai ao ar depois do fim do último bloco.
A Lupa usa o sistema Lupita, que consulta bases públicas como as do IBGE, do Caged e da Fundação Getulio Vargas. Se um candidato citar estatística de emprego, o sistema apresenta o dado oficial em segundos. A conclusão, porém, depende do trabalho de 20 jornalistas e especialistas. Por isso, segundo a Folha, falas do quarto bloco podem ser analisadas e publicadas só depois do encerramento do programa. As campanhas foram avisadas e poderão enviar ponderações.
Por que a checagem ao vivo foi organizada
A mobilização começou depois do debate da Band, no domingo (18). Naquele programa, a Lupa analisou 41 afirmações e encontrou incorreções em 27 delas. Um abaixo-assinado no Change.org pedindo checagem ao vivo na TV chegou a 954 mil assinaturas. Outra petição, de professores, alunos e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes da USP, passou de 12,5 mil adesões.
A fundadora da Lupa, Cristina Tardáguila, afirmou: “Sabemos que o nosso alcance é menor do que o alcance da mentira que é dita na televisão”. Segundo ela, a parceria com a Folha existe por causa do público amplo do jornal.
Como funciona a checagem no YouTube
Uma terceira iniciativa reúne jornalistas, pesquisadores e entidades, entre elas a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), a Intercom e a AletheiaFact.org. Os participantes vão trabalhar em uma sala virtual de checagem, com transmissão ao vivo pelos canais da Fenaj e da RNCD no YouTube.
Segundo os organizadores, a proposta complementa o trabalho das agências especializadas. A Fenaj criticou o formato do debate da Band em nota divulgada depois do programa. Para a entidade, provocações e ataques prejudicaram o esclarecimento dos eleitores.
O debate vai ao ar às 21h20 desta sexta-feira. As checagens continuam depois do programa, até que as análises sejam concluídas.



