O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) registrou uma Notícia de Fato para apurar a carta que a rede de supermercados Zona Sul enviou aos funcionários às vésperas da eleição. O órgão informou o registro nesta sexta-feira (23), de acordo com a Agência Brasil.
O documento, assinado pelo presidente da empresa, defende o “voto consciente” e uma mudança no país. Segundo as reportagens, ele não cita nominalmente nenhum candidato.
O que diz a carta
A carta foi revelada pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo. Nela, o autor afirma que o Brasil vive um “esgotamento ético”, um “esgotamento moral” e um “esgotamento do modelo”, este último descrito como político, econômico e institucional.
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O texto cita “responsabilidade fiscal”, “segurança jurídica” e “instituições confiáveis”. Diz que “o País precisa de uma mudança de postura, de prioridades e de modelo” e termina afirmando que “um país não se transforma verdadeiramente sem antes reconhecer que chegou a hora de mudar”.

Quem denunciou
O vereador Rick Azevedo (Psol), eleito deputado federal, denunciou a carta. Ele classificou o documento como assédio eleitoral. “Isso é assédio eleitoral. Cadê o TSE?”, disse o parlamentar.
O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro também entrou com ação na Justiça contra a rede. Segundo o presidente da entidade, Márcio Ayer, o poder de direção da empresa serve para gerenciar e organizar a atividade econômica, e não para “constranger trabalhadores” nem “impor posicionamentos ideológicos”. O sindicato pede penalidades e medidas corretivas. De acordo com o Diário do Rio, o caso também foi encaminhado ao MPT-RJ.
Em nota, o sindicato afirmou que “patrão nenhum é dono da consciência política de seus funcionários” e citou o fim da escala 6×1 entre os direitos trabalhistas em disputa.
O que diz o Zona Sul
A rede não se manifestou. A Agência Brasil e o Diário do Rio informaram que não conseguiram contato ou retorno da empresa, e o Terra registrou que ela não se pronunciou. O espaço segue aberto para a versão do Zona Sul.
Não há conclusão divulgada sobre a apuração do MPT-RJ, e a empresa não foi responsabilizada até o momento.

Caso parecido em Salvador
Na mesma semana, a Rede Mix, de Salvador, também foi alvo de apurações do MPT. Segundo o Terra, a empresa obrigou funcionários a vestir camisa com o número 22, supostamente em comemoração aos 22 anos da marca. O número é o de campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Uma liminar do MPT proibiu a empresa de exigir o uso da camisa, sob multa diária de R$ 50 mil. Na decisão, a procuradora Manuella Gedeon afirmou que a campanha de aniversário foi intensificada perto da eleição, o que deu margem ao entendimento de que a ação buscava influência político-eleitoral.
Nos dois casos, segundo o Terra, o MPT entende que a atitude da empresa pode constranger ou influenciar os funcionários por meio de uma posição política. O sindicato lembra que o voto é secreto e orienta que denúncias sejam feitas por seus canais oficiais ou diretamente ao MPT.
A ação do sindicato segue na Justiça, e o Zona Sul ainda pode apresentar sua versão.



