O próximo Concurso Nacional Unificado (CNU) pode ter de 2.000 a 3.000 vagas, mas a edição de 2027 só sai do papel se o Congresso aprovar o Orçamento com espaço para novas contratações. A faixa foi confirmada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) à Folha de S.Paulo, depois que a ministra Esther Dweck a citou em entrevista ao jornal O Globo.
Não há edital publicado nem data de prova. O ministério não tem data confirmada.
Quando deve ser o CNU 2027?
Dweck disse ao Globo que a meta é aplicar o concurso no segundo semestre de 2027. Ela afirmou que o ideal é realizar o CNU no primeiro e no terceiro ano de governo, para que a seleção não caia em ano de eleição. Por isso não houve edição em 2026.
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As versões divergem. A Folha informa que, com o Orçamento aprovado, o concurso poderia acontecer ainda no primeiro semestre. A ministra fala em segundo semestre, e o MGI não confirmou nenhuma das datas.
O MGI prevê o CNU a cada dois anos, para repor servidores que se aposentam. Em nota, a pasta disse que a realização em 2027 depende da aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) e do espaço fiscal que o Congresso definir.
De onde sai o dinheiro?
O Ploa que o governo enviou no fim de agosto destina R$ 1,3 bilhão a novas contratações no Executivo federal. Outros R$ 1,2 bilhão são para concursos das instituições federais de ensino. O texto prevê 53.530 vagas, somando cargos novos e nomeação de aprovados em seleções anteriores.
Esses valores não são só do CNU. Eles incluem concursos já autorizados, seleções em andamento e autorizações ainda em estudo. Dweck afirmou que, com o volume previsto, consegue autorizar no início do ano alguns concursos já aprovados e ainda ter verba suficiente para um CNU de 2 mil a 3 mil vagas. Tudo depende de o Congresso manter esse espaço.
O MGI justifica as contratações com a projeção de que mais de 70 mil servidores estarão em idade de se aposentar até 2030.
Estados e municípios podem entrar?
O governo estuda abrir o CNU a estados e municípios. Segundo Dweck, a conversa é com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad). Ela disse que, com a participação dos estados, fica fácil viabilizar a edição de 2027.
Maria Aparecida Chagas Ferreira, diretora de planejamento da força de trabalho no MGI, disse à Folha que o ministério já conversa com o Consad sobre o formato. A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) deve seguir como executora, enquanto o MGI coordena e avalia a política. Desde 2025, a preparação cabe à Enap, e não mais a empresas contratadas. Em 2024, a Cesgranrio ficou responsável pela primeira edição.
Como funciona o CNU
O candidato faz uma única inscrição, paga uma taxa e pode disputar vagas em órgãos diferentes do Executivo federal. As provas costumam ter parte objetiva e parte discursiva. Em 2025, as duas fases foram aplicadas em datas diferentes: 5 de outubro e 7 de dezembro, segundo a Folha.
Os números das duas edições anteriores:
- 2024: 6.640 vagas em 21 órgãos, 2,1 milhões de candidatos e provas em 228 cidades.
- 2025: 3.652 vagas em 32 órgãos, divididas em nove blocos temáticos, com 761.528 inscritos.
As edições têm coleta de biometria, exame grafológico e detector de metais nos locais de prova. A Folha informa que essas medidas devem se repetir em 2027.
A próxima etapa é a tramitação do Orçamento de 2027 no Congresso. O MGI diz que só poderá confirmar a nova edição depois da aprovação da Lei Orçamentária.



