A Petrobras anunciou neste domingo (1º) aumento de 7,2% no preço médio do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras. O litro fica R$ 0,45 mais caro que em outubro, e a nova tabela já vale.
Segundo a estatal, o reajuste acompanha a alta das cotações internacionais do combustível, num quadro de tensão no Oriente Médio e de menor capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, afetadas pela guerra entre os dois países. É o quarto aumento consecutivo.
Quanto o querosene já subiu desde março?
Em outubro, o reajuste foi de 11,7%, pelo Poder360. A Folha de S.Paulo registra 11,76% para o mesmo mês. Em setembro, a alta havia sido de 13,9%, e em agosto, de 1,9%. Em junho e julho, a Petrobras havia reduzido o preço em 14,2% e 14,4%, respectivamente.
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De acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o preço médio do QAV acumula alta de 90% desde 1º de março, pouco depois de começar a guerra no Oriente Médio.

O petróleo Brent fechou a sexta-feira (30) a US$ 113 por barril. A Petrobras atualiza os preços cobrados das distribuidoras no primeiro dia de cada mês. Em setembro, ela retomou um programa que permite às distribuidoras dividir os reajustes em três parcelas mensais, para reduzir o impacto imediato.
A alta chega ao preço da passagem?
Segundo a Folha, o encarecimento do QAV tem sido repassado aos passageiros por meio das tarifas. As fontes consultadas não trazem estimativa de quanto o reajuste de novembro vai pesar nas passagens.
Os efeitos das altas anteriores já aparecem nos números. Segundo o IBGE, as passagens aéreas subiram 9,66% em outubro e contribuíram para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o mês em 0,82%.
Antes da guerra, o combustível respondia por cerca de 30% a 32% das despesas operacionais do setor. Hoje, segundo a Abear, a fatia ultrapassa 45%. Em agosto, a entidade informou que Latam, Gol e Azul gastaram R$ 5,2 bilhões além do previsto para 2026 com combustível.
O Poder360 informa que os custos maiores também levaram as empresas a cortar oferta de voos e a retirar aeronaves de grande porte de circulação em alguns períodos do ano.

O que diz a Petrobras?
Em comunicado, a empresa afirma que o preço do QAV no Brasil segue uma fórmula prevista em contrato. Segundo a estatal, esse mecanismo amortece as oscilações de curto prazo e resulta em reajustes mais moderados que os registrados no exterior.
A Petrobras lembra que, nos principais mercados internacionais, os preços para as aéreas são ajustados com mais frequência, podendo chegar a revisões diárias. Por isso, diz a companhia, a variação acumulada desde o início do conflito é maior lá fora. Para a estatal, “o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo”.
A Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional de QAV, mas outros produtores e importadores podem atuar no país. Embora o Brasil produza petróleo, o preço do querosene segue as referências do mercado internacional.
Pela regra de atualização mensal, a próxima revisão dos preços às distribuidoras ocorre em 1º de dezembro.



