Segunda-feira, 2 de novembro de 2026
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UniCesumar desliga alunos de Medicina por ofensas a bolsistas e referências ao nazismo

A faculdade de Maringá concluiu sindicância em 30 de outubro e aplicou desligamentos, suspensões e advertências, mas não informa quantos alunos foram punidos.

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Resumo rápido

  • UniCesumar, em Maringá (PR), desligou alunos de Medicina após ofensas a bolsistas e referências ao nazismo em grupo de WhatsApp
  • A faculdade também aplicou suspensões e advertências, mas não diz quantos estudantes foram punidos nem divulga nomes
  • O MPF apura a denúncia; a FAG, de Cascavel, suspendeu três alunos por mensagens parecidas

A UniCesumar, em Maringá, no Norte do Paraná, desligou alunos do curso de Medicina que atacaram colegas bolsistas e compartilharam imagens e expressões associadas ao nazismo num grupo de WhatsApp. As mensagens circularam no domingo (25), dia em que Lula foi reeleito presidente no segundo turno.

Segundo a universidade, a sindicância interna terminou em 30 de outubro. A comissão recomendou punições, e a reitoria as aplicou com base no regimento interno: desligamentos, suspensões e advertências, conforme a gravidade de cada conduta.

Quantos alunos foram punidos?

A UniCesumar não informa. Questionada pelo g1, disse que não vai revelar quantos estudantes receberam cada tipo de punição, e também não divulgou nomes. O g1 não identificou os envolvidos porque o caso segue em apuração e pode envolver menores de idade.

Leia também: UniCesumar pune alunos de Medicina por mensagens ofensivas a bolsistas

Um estudante ouvido pelo g1 afirmou que tanto os autores das ofensas quanto os alvos delas deixaram de frequentar a faculdade desde que o caso ganhou repercussão.

O que diziam as mensagens

A Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná (Aemed-PR) reuniu os relatos. As ofensas citam a condição socioeconômica dos colegas e o acesso à faculdade por bolsa de estudo. Uma delas, compilada pela associação, diz: “Pessoal do Prouni aí comemora que vai continuar essa palhaçada”.

Também foi compartilhada uma imagem militar acompanhada de referências a “raw milk” (leite cru, em inglês), expressão que, segundo o g1, é comum em grupos da internet que defendem a supremacia branca. As fontes divergem sobre a foto: o g1 a descreve como do exército nazista, e a Folha de S.Paulo, como de um pelotão da antiga Alemanha Oriental.

Catedral de Maringá
Catedral Basílica de Maringá (foto de arquivo, 26/03/2012) Foto: Mariordo (Mario Roberto Durán Ortiz), via Wikimedia Commons, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

E na faculdade de Cascavel?

Mensagens de teor semelhante partiram de estudantes de Medicina do Centro Universitário FAG (Fundação Assis Gurgacz), em Cascavel, no Oeste do Paraná, segundo a Folha. A instituição disse que suspendeu três universitários e aplicou advertências, e que os processos administrativos seguem em curso.

Foi nesse caso que a Aemed-PR relatou mensagens sobre violência sexual e racismo. A associação atribui a um aluno da FAG uma delas, que trata de violência sexual.

A entidade criticou a decisão de apenas suspender os envolvidos. Para a Aemed-PR, “não se trata de divergência política”, e sim de condutas que podem configurar crime. A associação enviou notificações extrajudiciais cobrando a expulsão dos autores em casos de crime confirmado e sanções proporcionais nos demais.

“A ética médica não é negociável e não podemos entregar a saúde da população a quem não tem o mínimo de empatia”, disse Sérgio Robassa, diretor de relações externas da Aemed-PR.

Quem está apurando?

A Aemed-PR registrou notícia-crime no Ministério Público do Paraná. Alunos da UniCesumar também levaram o caso ao Ministério Público Federal (MPF), que confirmou ter recebido a denúncia e disse que apura os fatos. Não foi informado se há inquérito aberto nem se alguém é formalmente investigado.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou que as atitudes ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina e que vai acompanhar o caso. Entidades estudantis da UniCesumar anunciaram o desligamento dos envolvidos de seus quadros. O Centro Acadêmico Miguel Nicolelis ofereceu apoio psicoterapêutico gratuito ou com custo reduzido aos estudantes afetados.

Na FAG, os processos administrativos continuam em curso, segundo a instituição.

Fontes consultadas

Folha de S.Paulo — Estudantes de medicina são expulsos de universidade por ofensas a bolsistas após as eleições G1 — Veja prints: alunos de Medicina no Paraná enviaram mensagens com referência ao nazismo para atacar estudantes bolsistas após eleição

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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