A abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 chegou a 21,08%, o maior índice desde 1998. Segundo a Justiça Eleitoral, com 99,9% das urnas apuradas, 33,4 milhões de eleitores não compareceram neste domingo (4).
Em 1998, a abstenção foi de 21,49%, um pouco acima da atual. Desde 2006, quando ficou em 16,75%, o índice subiu a cada eleição: 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022, conforme levantamento do G1.
O número de 2022 varia conforme a fonte: a Folha de S.Paulo cita 20,79% e o Valor Econômico, 20,89%. A Folha também classifica o índice atual como o maior já visto em um primeiro turno, o que não bate com o dado de 1998 citado pelo G1 e pelo Valor.
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Quantos não escolheram candidato à Presidência?
Os votos em branco e nulos na disputa presidencial somaram 4,77%: 2,93% de nulos e 1,84% de brancos. Em 2022, os votos inválidos foram 4,25%, segundo a Folha.
O G1 calculou, com dados do TSE até as 21h20 (99,18% das seções apuradas), que abstenções, brancos e nulos somavam 39,1 milhões, ou 24,63% dos 158,7 milhões de eleitores aptos. Era um número parcial, que pode mudar com o fim da apuração.
Onde a abstenção foi maior?
Os estados com as maiores taxas foram:
- Mato Grosso do Sul: 23,87%
- Rio de Janeiro: 23,32%
- Minas Gerais: 22,79%
- São Paulo: 22,54%
As menores ficaram no Ceará (15,52%), em Roraima (17,12%), no Piauí (17,16%) e em Sergipe (17,30%).
Quem mais falta às urnas?
Os dados detalhados do perfil dos ausentes em 2026 ainda não foram divulgados. Em 2022, a abstenção foi maior entre homens (21,86%) do que entre mulheres (19,8%), segundo levantamento do Congresso em Foco com dados da Justiça Eleitoral.
A escolaridade pesa mais. Entre analfabetos, a abstenção foi de 52,08% em 2022, ante 11,85% entre quem tem ensino superior completo, segundo o mesmo levantamento. A Folha cita 12,4% para este último grupo.
O voto é facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e maiores de 70. Entre os maiores de 70, a abstenção caiu de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022.
Por que a abstenção cresce?
Cientistas políticos ouvidos pela Folha dizem que não há pesquisa que explique o fenômeno e apontam hipóteses: a ressaca das duas últimas disputas presidenciais, a dificuldade de acesso aos locais de votação na região amazônica e em cidades pequenas, e o cadastro de eleitores desatualizado.
Esta foi a primeira eleição em décadas sem debate entre os principais candidatos. Segundo a Folha, a campanha teve o menor engajamento desde a redemocratização, e o interesse medido nas pesquisas é baixo.
Quais são as consequências de não votar?
O voto é obrigatório entre 18 e 70 anos, exceto para analfabetos. O eleitor pode justificar a ausência pelo aplicativo e-Título, sem necessidade de comprovante. Quem não justifica no prazo paga multa de R$ 3,51 por turno.
O título é cancelado após três ausências. Em 2025, 5 milhões de pessoas tiveram o documento cancelado por esse motivo.
O que diz o TSE?
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou em entrevista coletiva que o número está “dentro do esperado”, embora não seja o “ideal”. Ele disse que, entre quem não é obrigado a votar, a ausência é alta: chega a 50% entre idosos e a 20% entre jovens de 16 e 17 anos.
Nunes Marques citou o programa “Seu Voto Importa”, que organiza o transporte de pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência. “A ideia é intensificar e aperfeiçoar todos os mecanismos para que possamos diminuir esse percentual para o segundo turno”, disse.



