Segunda-feira, 5 de outubro de 2026
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Eleições 2026

Lula avalia nomear Alckmin ministro da Fazenda se for reeleito

Plano ainda em discussão busca atrair eleitores de centro no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, mas a ideia não é unânime dentro da campanha petista.

Resumo rápido

  • Lula avalia nomear Alckmin ministro da Fazenda em eventual novo mandato, segundo duas pessoas ouvidas pela Reuters
  • Alckmin seguiria como vice e também chefiaria a Fazenda; a ala econômica da campanha vê pouco sentido na ideia, diz o Estadão
  • Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos no 1º turno; Lula, 45,16%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia nomear o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ministro da Fazenda caso seja reeleito, para tentar atrair eleitores de centro no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A informação é da agência Reuters e foi reproduzida pela Folha de S.Paulo e pela CNN Brasil.

Duas pessoas com conhecimento do assunto, que falaram sob anonimato, afirmaram que a proposta ainda está em discussão. O Palácio do Planalto não respondeu ao pedido de comentário.

Como funcionaria o arranjo

Alckmin continuaria na vice-presidência e também assumiria a Fazenda no próximo ano. A ideia é consolidar a autoridade dele sobre a política econômica.

Leia também: Flávio Bolsonaro e Lula vão ao 2º turno; Flávio tem 47,03% e Lula, 45,16%, com 100% apurado · Eleição no exterior: boletins parciais davam Flávio à frente, mas TSE mostra Lula

Segundo as fontes da Reuters, o arranjo daria força a Alckmin porque ele seria visto como alguém que não poderia ser demitido do posto. Em 2022, Lula também chegou a considerar o então vice eleito para a pasta, mas, depois de vencer a eleição, escolheu o petista Fernando Haddad.

Geraldo Alckmin fala à imprensa na sala de coletivas do Palácio Itamaraty, em Brasília
Geraldo Alckmin fala à imprensa na sala de coletivas do Palácio Itamaraty, em Brasília (foto de arquivo, 14/07/2026) Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por que a proposta surge agora

O primeiro turno foi no domingo (4), e Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro. Os números de votos válidos, citados pelo Estadão:

  • Flávio Bolsonaro: 47,03%
  • Lula: 45,16%

O resultado contrariou a maior parte das pesquisas, que indicavam uma vantagem apertada para o presidente. Somado à eleição de um Congresso majoritariamente de direita, ele provocou forte alta da Bolsa nesta segunda-feira (5). Segundo a Reuters, investidores apostaram que um governo Flávio teria mais chance de aprovar uma consolidação fiscal rápida, com respaldo no Legislativo.

O peso da dívida pública

Desde o início do atual mandato de Lula, a dívida bruta do país subiu mais de 10 pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) e chegou a 82,9%. A Folha e a Reuters descrevem esse número como um dos principais pontos vulneráveis do presidente, mesmo com inflação abaixo da média histórica, desemprego em mínimas e avanço dos salários reais.

De acordo com as fontes, Alckmin na Fazenda poderia atrair eleitores preocupados com a credibilidade fiscal que relutam em apoiar Flávio, mas estão frustrados com o que consideram uma guinada populista do governo.

Há divisão dentro da campanha?

Sim. Segundo um integrante do governo ouvido pelo Estadão, uma ala da campanha defende a indicação para atrair o centro, mas a estratégia não é unânime.

Interlocutores ouvidos pelo jornal afirmam que a ideia nem teria sido apresentada à ala econômica da campanha. Nesse grupo, a avaliação é que o problema não está na economia e que Alckmin agregaria pouco a Lula neste estágio, porque a presença dele em um eventual próximo governo já estaria precificada.

Foto oficial de Luiz Inácio Lula da Silva, de janeiro de 2007
Foto oficial de Luiz Inácio Lula da Silva, de janeiro de 2007 (imagem ilustrativa) Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República, via Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

O Estadão também lembra que a presença de Alckmin em agendas no interior de São Paulo não se converteu em votos. Lula teve 10,5 milhões de votos no primeiro turno de 2022 e 9,5 milhões neste domingo, um milhão a menos.

Quem é Alckmin

Ex-tucano, Alckmin governou São Paulo quatro vezes e disputou a Presidência contra Lula em 2006. Ganhou destaque no atual governo nas negociações com os Estados Unidos após as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. Ele acumulou a vice-presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) até o prazo de desincompatibilização para as eleições de 2026. A Folha o descreve como atual ministro da pasta; CNN Brasil e Estadão informam que ele deixou o cargo.

É visto como moderado e com trânsito entre empresários, embora críticos afirmem que sua influência foi ofuscada por políticas consideradas inclinadas à esquerda.

Em pronunciamento no domingo, segundo O Globo, Lula citou Alckmin oito vezes. Uma das falas: “Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal para mim e para o Alckmin”. O próprio Alckmin afirmou que o segundo turno “é uma nova eleição” e disse que vai conversar com eleitores de todos os outros candidatos.

De acordo com O Globo, a campanha pretende dar mais protagonismo ao vice na etapa final da disputa, inclusive com mais aparições dele no horário eleitoral na televisão.

Fontes consultadas

Folha de S.Paulo — Lula avalia anunciar Alckmin como ministro da Fazenda em novo mandato se for reeleito, diz agência CNN Brasil — Lula avalia Alckmin na Fazenda para conquistar votos de centro, diz Reuters Estadão — Ala petista defende Alckmin no Ministério da Fazenda na tentativa de atrair o centro O GLOBO — Campanha de Lula deve dar maior protagonismo a Alckmin em busca de eleitor de centro

Produzida pela Redação Trendou com apoio de ferramentas de inteligência artificial, a partir das fontes acima. Política editorial · Pedir correção

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