A espanhola Aena assinou nesta terça-feira (6) o contrato de compra e venda de ações do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, e assumiu a gestão do terminal. Com isso, a empresa passa a ser a única controladora, e a Infraero, que tinha 49% do aeroporto, deixa de ter participação.
A operação é consequência do leilão de venda assistida realizado em março, no qual a Aena venceu com lance de R$ 2,9 bilhões. A concessão vai até 2039. Com o Galeão, a companhia passa a administrar 18 aeroportos no Brasil, com fluxo superior a 63 milhões de passageiros por ano, segundo o Valor Econômico e o InfoMoney.
Como ficou o contrato
De acordo com a Folha, o modelo de venda assistida foi desenhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para repactuar o contrato anterior. O Galeão estava no grupo dos chamados “contratos estressados”, projetos antigos que fracassaram e precisaram ser revistos pelo poder concedente. O Valor informa que o processo foi conduzido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
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A outorga, valor pago ao governo federal pela concessão, mudou. Em vez de parcelas fixas, a Aena deverá repassar à União 20% do faturamento anual até 2039, informou a Folha.
A empresa também foi liberada da obrigação de construir uma terceira pista, que constava do contrato anterior. O governo já havia flexibilizado a outorga na relicitação do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN), vencida pela Zurich Airport em 2023: a concessionária pagou R$ 320 milhões de entrada e ficou sujeita a uma taxa anual sobre a receita.

Quem eram os sócios do Galeão
Antes da assinatura, a Infraero tinha 49% da concessão. Os outros 51% pertenciam à singapuriana Changi e à brasileira Vinci, que comprou 70% da participação da empresa de Singapura em agosto de 2025. No leilão, a Aena superou propostas da Zurich Airport e do consórcio formado por Changi e Vinci Compass; o lance mínimo era de R$ 932 milhões.
O que a Aena já opera
A companhia está no Brasil desde 2020 e administra, além do Galeão, Congonhas (SP) e os terminais de Campo Grande, Maceió e Aracaju. No mundo, são 81 aeroportos em cinco países, entre eles:
- 46 aeroportos e dois heliportos na Espanha;
- 12 aeroportos no México;
- dois terminais na Jamaica;
- 51% do aeroporto de Londres-Luton.
Em nota, a Aena disse que vai concentrar a gestão na eficiência operacional, na experiência dos passageiros, no transporte de cargas e na geração de valor para a cidade e o estado do Rio. O presidente da empresa, Maurici Lucena, afirmou que o Galeão é “crítico para o Rio de Janeiro e para o Brasil” e tem potencial para ampliar conexões nacionais e internacionais.
A Aena informou que fará uma coletiva de imprensa na semana que vem para detalhar os planos de gestão do terminal.



