O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, assumiu nesta terça-feira (6) compromissos com as pautas da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em encontro com a bancada em Brasília. Deputados e senadores reafirmaram o apoio a ele no segundo turno.
A FPA já havia divulgado uma carta endossando a candidatura. Flávio disse que recebeu o apoio agora com uma carta-compromisso mais detalhada.
A FPA vai indicar o ministro da Agricultura?
Questionado se a FPA indicará o ministro da Agricultura e Pecuária em caso de vitória, como ocorreu no governo do pai, Jair Bolsonaro, Flávio respondeu que “vai”, segundo o Estadão.
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O Valor Econômico relatou a mesma promessa em termos mais cautelosos: a frente poderá indicar o titular da pasta. O Metrópoles escreveu que, segundo o senador, o futuro ministro será escolhido a partir de uma indicação da frente parlamentar.

Quais são as promessas ao agro
Flávio afirmou que a FPA será ouvida em qualquer decisão sobre projetos de lei e pautas da área. Entre os compromissos citados nos relatos do encontro estão:
- redução da taxa de juros no financiamento rural;
- seguro agrícola e previsibilidade na oferta de crédito;
- investimento em infraestrutura e mais capacidade de armazenagem, para negociar melhor os preços das commodities;
- ampliação do programa de renegociação de dívidas rurais;
- menor dependência de fertilizantes importados;
- fortalecimento dos biocombustíveis, com reorganização da legislação e redução da conta de energia do produtor;
- ação contra práticas de dumping, como no setor do leite;
- atenção especial à agricultura familiar e aos trabalhadores rurais.
O candidato também citou os 420 mil títulos de propriedade rural entregues no governo de Jair Bolsonaro e prometeu superar esse número.
Como o governo pagaria a conta
Ao tratar do endividamento do campo, Flávio disse que pretende governar com “austeridade”, corte de despesas e aumento de receitas. Segundo ele, isso permitiria manter o financiamento ao setor com juros menores e prazos longos, como, de acordo com o candidato, ocorria na gestão Bolsonaro.
Os relatos do encontro não trazem detalhes sobre quais despesas seriam cortadas nem de onde viriam as novas receitas.
O que ele critica no governo Lula
Flávio disse que o setor “está sofrendo demais” nas mãos do atual governo, que, na avaliação dele, trata os produtores como inimigos. Ele fez referência a uma passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Santa Catarina.

Segundo Flávio, Lula chamou os produtores rurais de fascistas e disse que eles tinham de se ajoelhar diante dele. As duas afirmações aparecem apenas na fala do candidato nos relatos do encontro, que não reproduzem a declaração original do presidente.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PR-Republicanos), também criticou a política econômica. Para ele, o setor produtivo está “completamente impedido de investir” por causa dos problemas macroeconômicos. Lupion citou R$ 11 trilhões de dívida pública, déficit primário elevado e juros altos. Disse ainda que um juro real superior a 20% para o produtor rural “impede qualquer tipo de produção”.
Próximos passos
Segundo Flávio, os parlamentares se comprometeram a percorrer o país, junto com representantes do setor produtivo, para pedir votos à candidatura dele no segundo turno.
Correção (06/10, 22h15): a versão anterior atribuía ao Metrópoles a informação de que Lula disse que os produtores “deveriam se ajoelhar”; a frase é uma afirmação de Flávio Bolsonaro, segundo o Estadão.



