Uma fã de Bruno Mars listou um ingresso por US$ 299 na revenda da Ticketmaster, mas o mesmo assento aparecia a compradores por US$ 422,45, segundo um vídeo no TikTok citado pelo TicketNews. Depois da taxa de serviço, ela receberia US$ 254,15, ou seja, US$ 168,30 a menos que o valor exibido ao comprador.
A Ticketmaster diz que quem revende define o preço-base e recebe esse valor menos as taxas aplicáveis. A empresa afirma que as taxas de revenda podem ser divididas entre as partes envolvidas na realização do evento.
De onde vêm os US$ 168,30 de diferença?
Na tela “Edit Listing” (editar anúncio) mostrada no vídeo, o assento da Seção 235, Fileira 19, Poltrona 4 aparecia por US$ 299. A taxa de serviço era de US$ 44,85, e o repasse projetado, de US$ 254,15.
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A vendedora disse ter encontrado o mesmo assento no site por US$ 422,45, o que dá US$ 123,45 a mais que o preço escolhido por ela. Na comparação com o repasse, a distância chega a US$ 168,30.
O TicketNews alerta que esses US$ 168,30 não devem ser tratados automaticamente como dinheiro que fica com a Ticketmaster. O vídeo não mostra como os US$ 123,45 extras foram divididos, nem se parte deles foi acréscimo separado das taxas.

O que diz a Ticketmaster sobre as taxas?
Segundo a empresa, o comprador costuma ver o preço total, com as taxas obrigatórias, logo no início, antes dos impostos. Para o TicketNews, isso indica que ao menos parte da diferença pode refletir encargos cobrados do comprador.
A Ticketmaster também afirma que as taxas de revenda podem cobrir custos operacionais e lucro.
Qual é o processo contra a empresa?
A Ticketmaster e a controladora Live Nation respondem a uma ação federal movida pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) e por sete estados. Segundo a acusação, a empresa ganha com taxas cobradas dos dois lados da revenda e, em alguns casos, pode aumentar o preço de um ingresso revendido.
O governo alega que as empresas arrecadaram US$ 986 milhões em taxas de revenda entre 2019 e 2024, e mais de US$ 187 milhões com acréscimos de preço em ingressos revendidos. São alegações, sem decisão final. Segundo o TicketNews, elas não comprovam acréscimo no ingresso do vídeo.
Na semana passada, um juiz federal rejeitou o pedido das empresas para encerrar o caso. A decisão não concluiu que a Ticketmaster violou a lei, apenas que a acusação tem fatos suficientes para seguir.
O que a Ticketmaster admitiu sobre as transferências?
Na sexta-feira (2), fãs relataram dificuldade para aceitar ingressos transferidos e cancelar transferências travadas. Houve queixas de público de shows de Harry Styles, Bruno Mars, Teddy Swims e Weezer. As reclamações continuaram no sábado (3).

Em 2 de outubro, o presidente global da empresa, Saumil Mehta, respondeu a um usuário na rede X. Pediu desculpas e escreveu que a Ticketmaster sabia das “stuck transfers” (transferências travadas) e trabalhava para destravá-las.
No sábado, a conta de suporte disse que a maioria das transferências pendentes era processada em até 60 minutos, e muitas em até 10. Quem tivesse problema em evento do mesmo dia deveria levar os dados da compra à bilheteria do local.
A empresa não explicou a causa da falha, quantos eventos ou transferências foram afetados, nem quando o problema começou e terminou. Segundo o TicketNews, ela não respondeu aos pedidos de informação. O SoFi Stadium, onde Bruno Mars se apresentou, encaminhou as perguntas à Ticketmaster.
O que dizem os críticos do setor?
A Coalition for Ticket Fairness, entidade que defende a livre transferência de ingressos e a concorrência no setor, citou o episódio como exemplo do risco de concentrar a venda e a transferência em uma só empresa. Segundo o porta-voz Geoff Vetter, fãs ficaram do lado de fora dos locais com ingressos pagos que não conseguiam usar.
O processo da FTC segue em andamento. A Ticketmaster não foi condenada.



