Sábado, 31 de outubro de 2026
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Brasil e política

Greve dos caminhoneiros em 5 de novembro? O que se sabe sobre a paralisação que circula nas redes

Presidente da Abrava diz que não há convocação; boato reaproveita mobilização antiga, e nenhuma entidade nacional confirmou adesão

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Resumo rápido

  • Não há convocação oficial de greve dos caminhoneiros para a quinta-feira (5).
  • Chorão, da Abrava, diz que mensagens reaproveitam mobilização antiga e que negocia com o governo.
  • Categoria já ameaçou parar em março e julho; lei do piso do frete foi sancionada em agosto.

Não há, até este sábado (31), nenhuma convocação oficial de greve dos caminhoneiros para a quinta-feira, 5 de novembro. A data se espalhou nas redes sociais nos últimos dias, com mensagens que falam em paralisação nacional e até “por tempo indeterminado”, mas o principal líder da categoria negou o movimento e nenhuma entidade nacional confirmou adesão.

Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou ao portal ND Mais que a greve “não foi convocada”. Segundo ele, o material que circula reaproveita informações de uma mobilização anterior.

De onde saiu a data de 5 de novembro?

A convocação aparece em vídeos, áudios e posts sem autoria clara. De acordo com o ND Mais, uma reportagem antiga sobre uma possível paralisação voltou a circular e foi compartilhada no Instagram pelo deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS).

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O jornal DCI, que também checou o assunto neste sábado, registrou que não há confirmação independente da mobilização, que nenhum ponto de concentração nas estradas foi definido e que as publicações não indicam quem estaria organizando o protesto.

A expressão “greve dos caminhoneiros 5 de novembro” entrou na lista de buscas em alta do Google no Brasil neste sábado.

O que disse o presidente da Abrava

Chorão esteve à frente das ameaças de paralisação da categoria neste ano, e por isso a negativa dele pesa. Segundo o ND Mais, ele disse que:

  • não existe mobilização nacional marcada para novembro;
  • esteve em Brasília nesta semana e participou de reunião no Ministério dos Transportes, onde as conversas seguem em andamento;
  • a categoria tem reivindicações abertas, como a planilha de custos do transporte e a equalização de eixos, mas isso não significa que haja greve convocada;
  • não descarta uma paralisação no futuro, caso os caminhoneiros considerem necessário pressionar o governo federal.

As reportagens publicadas até este sábado não registram manifestação do Ministério dos Transportes, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ou da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre bloqueios previstos para a próxima semana.

Fila de caminhões parados na rodovia Presidente Dutra
Caminhões parados na Via Dutra (BR-116), em Taubaté (SP), durante os bloqueios após o 2º turno de 2022 (foto de arquivo, 01/11/2022) Foto: Themium, via Wikimedia Commons (CC0)

Por que o boato pegou: o ano tenso nas estradas

A categoria esteve perto de parar mais de uma vez em 2026, o que ajuda a explicar por que a mensagem convenceu tanta gente.

  • Março: representantes dos caminhoneiros discutiram uma paralisação por causa do preço do diesel, mas o movimento não avançou depois de negociações com o governo federal, segundo a Agência GBC.
  • 13 de julho: Chorão convocou, em vídeo, uma paralisação para pressionar o Senado a votar a Medida Provisória 1.343/2026, a MP do Piso do Frete, que perderia a validade no dia 16. Em Santos (SP), cerca de 70 pessoas fizeram um ato pacífico, sem bloquear vias, de acordo com a Polícia Militar citada pelo InfoMoney.
  • 14 de julho: o Senado aprovou a MP depois de um acordo entre governo, oposição e representantes da categoria. O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros, incluído na Câmara, saiu do texto, segundo o Congresso em Foco.
  • 5 de agosto: o presidente Lula sancionou a lei que tornou o piso do frete permanente e vetou o trecho que anulava cerca de R$ 7,1 bilhões em multas aplicadas por bloqueios de rodovias depois da eleição de 2022, conforme a Jovem Pan.

O que mudou com a lei do piso do frete

A lei sancionada em agosto atendeu à principal bandeira da categoria naquele momento. Os pontos centrais são:

  • o piso mínimo do frete definido pela ANTT passou a ser obrigatório nas contratações de transporte rodoviário de cargas;
  • quem contratar abaixo da tabela pode levar multa de até R$ 1 milhão, além de ter de indenizar o transportador;
  • o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) virou documento obrigatório para registrar o valor do frete antes de cada viagem;
  • o piso deve ser reajustado sempre que os combustíveis subirem mais de 5%.

Mesmo assim, os caminhoneiros autônomos seguem cobrando a revisão da planilha de custos e outras mudanças, que estão na mesa de negociação com o Ministério dos Transportes, segundo o presidente da Abrava.

Vai faltar combustível ou comida no mercado?

Não há, hoje, sinal de risco para o abastecimento. Sem convocação, sem entidades aderindo e sem pontos de bloqueio definidos, a mensagem não tem a estrutura de uma greve real. A lembrança mais forte é a paralisação de maio de 2018, que esvaziou postos e prateleiras em todo o país em poucos dias. Aquele movimento, porém, foi anunciado e organizado por entidades e lideranças conhecidas.

Correr ao posto ou ao supermercado por causa de um boato é justamente o que provoca filas e falta pontual de produtos.

Como saber se uma greve é verdadeira

  • Procure o anúncio nos canais oficiais das entidades da categoria, como Abrava, e em veículos de imprensa, e não só em correntes de WhatsApp.
  • Desconfie de vídeo sem data, de áudio sem autor e de lista de rodovias “que vão parar” sem fonte.
  • Antes de viajar, consulte as condições das estradas federais nos canais da PRF.
  • Veja se o governo ou a ANTT anunciaram reunião de emergência ou plano de contingência, o que costuma ocorrer quando há ameaça concreta.

O que acontece agora

As conversas entre a Abrava e o Ministério dos Transportes sobre a planilha de custos continuam. Se houver convocação de verdade para quinta-feira (5) ou qualquer outra data, ela terá de vir das lideranças da categoria, e esta reportagem será atualizada.

Fontes consultadas

ND Mais — Greve dos caminhoneiros no dia 5 de novembro? Presidente da associação nega paralisação DCI — Vai ter greve dos caminhoneiros dia 5 de novembro ou não? Agência GBC — Pode ter greve dos caminhoneiros na próxima semana? Veja o que se sabe InfoMoney — O que se sabe sobre a greve dos caminhoneiros, anunciada nesta segunda-feira (13) Congresso em Foco — Senado aprova MP do frete após acordo entre governo e oposição Congresso em Foco — Lula sanciona lei de conversão que torna permanente a MP do frete Jovem Pan — Lula veta anistia a caminhoneiros por bloqueios em 2022 e sanciona nova lei do frete

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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