As faculdades de Medicina deveriam ensinar o aluno a questionar o que a inteligência artificial (IA) responde, e não apenas a usá-la. A defesa é de Claudio Lottenberg, em coluna publicada na Veja. Para ele, a tecnologia pode apoiar o estudante, mas “a responsabilidade pelo cuidado continua sendo do médico”.
Lottenberg diz que se formou na década de 1980 e que quem entra na faculdade hoje vai exercer a profissão em um ambiente muito diferente. Ele cita a IA, a genética, a análise de grandes bases de dados e novas técnicas diagnósticas como fatores que já mudam a forma de identificar doenças, avaliar riscos e definir tratamentos.
Por que o pensamento crítico importa tanto?
Segundo o colunista, uma resposta bem escrita e dada com segurança pode soar correta mesmo com erros. Por isso, o médico precisa de base para confrontá-la com as evidências e decidir se ela serve ao paciente que tem à frente.
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Ele discorda de quem acha que a IA vai reduzir a necessidade de estudar. Para Lottenberg, acontece o contrário. “Ter acesso a uma resposta não equivale a compreendê-la”, escreve. Na prática, o aluno precisaria aprender a:
- verificar as fontes das informações;
- reconhecer onde há incerteza;
- identificar possíveis vieses;
- perceber quando uma sugestão não combina com o quadro clínico.
Na visão dele, esse olhar crítico se constrói com estudo, debate de casos, convivência com pacientes e professores que cobrem do aluno a explicação de cada conclusão.
O que já mudou nos cursos?
A coluna lembra que o Conselho Nacional de Educação instituiu em 2025 novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina. Pela primeira vez, IA, telemedicina, aprendizado de máquina e análise de dados em larga escala são citados expressamente como conhecimentos da formação médica.

Algumas universidades já levam o tema para a sala de aula. Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), há a disciplina Inteligência Artificial na Prática Clínica. Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a matéria Inteligência Artificial Aplicada à Saúde trata de diagnóstico, prognóstico e análise de dados.
Segundo o colunista, o movimento está mais adiantado em outros países. Um levantamento da Association of American Medical Colleges (AAMC), citado por ele, apontou que 77% das escolas médicas pesquisadas nos Estados Unidos e no Canadá já tinham conteúdo de IA no currículo em 2024. Um ano antes, eram 53%.
E a relação com o paciente?
Para Lottenberg, sistemas de IA podem organizar dados, sugerir hipóteses e tornar a consulta mais ágil. Já acolher quem está com medo, notar o que o prontuário não registra e explicar um diagnóstico difícil dependem, segundo ele, de presença e de vínculo humano. Ele conclui que a formação precisa unir domínio tecnológico, base científica sólida e preparo humano.
Outras notícias sobre a formação médica
O Jornal Nacional desta sexta-feira (16) registrou, segundo resumo publicado pelo g1, que o Congresso aprovou um exame obrigatório para estudantes de Medicina. O resumo não detalha o formato da prova nem a partir de quando ela valeria.
Em outra frente, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) prorrogou até segunda-feira (19) as inscrições do vestibular de Medicina, informou o GZH. A universidade atribuiu a mudança aos feriados de outubro. O processo oferece 190 vagas, sendo 150 para a prova presencial e 40 para quem usar a nota do Enem. O edital detalha a classificação e o uso das notas do exame.
- Inscrições: até segunda-feira (19)
- Pagamento da taxa: até 20 de outubro
- Lista de inscrições homologadas: 22 de outubro
- Prova presencial, aplicada pela Fundatec: 1º de novembro



