Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
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Lottenberg defende que faculdades de Medicina ensinem a contestar a IA

Em coluna na Veja, Claudio Lottenberg afirma que a inteligência artificial exige mais estudo, não menos, e que a decisão clínica segue com o médico.

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Resumo rápido

  • Em coluna na Veja, Claudio Lottenberg diz que as faculdades devem ensinar o aluno a questionar as respostas da IA
  • Diretrizes instituídas em 2025 incluem IA e telemedicina na formação; UFFS e UFMS já oferecem disciplinas
  • Nos EUA e no Canadá, 77% das escolas médicas pesquisadas tinham conteúdo de IA em 2024, ante 53% em 2023

As faculdades de Medicina deveriam ensinar o aluno a questionar o que a inteligência artificial (IA) responde, e não apenas a usá-la. A defesa é de Claudio Lottenberg, em coluna publicada na Veja. Para ele, a tecnologia pode apoiar o estudante, mas “a responsabilidade pelo cuidado continua sendo do médico”.

Lottenberg diz que se formou na década de 1980 e que quem entra na faculdade hoje vai exercer a profissão em um ambiente muito diferente. Ele cita a IA, a genética, a análise de grandes bases de dados e novas técnicas diagnósticas como fatores que já mudam a forma de identificar doenças, avaliar riscos e definir tratamentos.

Por que o pensamento crítico importa tanto?

Segundo o colunista, uma resposta bem escrita e dada com segurança pode soar correta mesmo com erros. Por isso, o médico precisa de base para confrontá-la com as evidências e decidir se ela serve ao paciente que tem à frente.

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Ele discorda de quem acha que a IA vai reduzir a necessidade de estudar. Para Lottenberg, acontece o contrário. “Ter acesso a uma resposta não equivale a compreendê-la”, escreve. Na prática, o aluno precisaria aprender a:

  • verificar as fontes das informações;
  • reconhecer onde há incerteza;
  • identificar possíveis vieses;
  • perceber quando uma sugestão não combina com o quadro clínico.

Na visão dele, esse olhar crítico se constrói com estudo, debate de casos, convivência com pacientes e professores que cobrem do aluno a explicação de cada conclusão.

O que já mudou nos cursos?

A coluna lembra que o Conselho Nacional de Educação instituiu em 2025 novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina. Pela primeira vez, IA, telemedicina, aprendizado de máquina e análise de dados em larga escala são citados expressamente como conhecimentos da formação médica.

Mural do artista Alexandre Orion no prédio do Incor, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Mural do artista Alexandre Orion no prédio do Incor, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (foto de arquivo) Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Algumas universidades já levam o tema para a sala de aula. Na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), há a disciplina Inteligência Artificial na Prática Clínica. Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a matéria Inteligência Artificial Aplicada à Saúde trata de diagnóstico, prognóstico e análise de dados.

Segundo o colunista, o movimento está mais adiantado em outros países. Um levantamento da Association of American Medical Colleges (AAMC), citado por ele, apontou que 77% das escolas médicas pesquisadas nos Estados Unidos e no Canadá já tinham conteúdo de IA no currículo em 2024. Um ano antes, eram 53%.

E a relação com o paciente?

Para Lottenberg, sistemas de IA podem organizar dados, sugerir hipóteses e tornar a consulta mais ágil. Já acolher quem está com medo, notar o que o prontuário não registra e explicar um diagnóstico difícil dependem, segundo ele, de presença e de vínculo humano. Ele conclui que a formação precisa unir domínio tecnológico, base científica sólida e preparo humano.

Outras notícias sobre a formação médica

O Jornal Nacional desta sexta-feira (16) registrou, segundo resumo publicado pelo g1, que o Congresso aprovou um exame obrigatório para estudantes de Medicina. O resumo não detalha o formato da prova nem a partir de quando ela valeria.

Em outra frente, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) prorrogou até segunda-feira (19) as inscrições do vestibular de Medicina, informou o GZH. A universidade atribuiu a mudança aos feriados de outubro. O processo oferece 190 vagas, sendo 150 para a prova presencial e 40 para quem usar a nota do Enem. O edital detalha a classificação e o uso das notas do exame.

  • Inscrições: até segunda-feira (19)
  • Pagamento da taxa: até 20 de outubro
  • Lista de inscrições homologadas: 22 de outubro
  • Prova presencial, aplicada pela Fundatec: 1º de novembro

Fontes consultadas

VEJA — Precisamos formar médicos para uma medicina que está sendo construída - Claudio Lottenberg GZH — UCPel prorroga inscrições para vestibular de Medicina: saiba a nova data e como se inscrever g1 — Resumão diário do JN: Desmatamento na Amazônia é o menor em 38 anos; TSE aprova regras sobre canais de Whatsapp em campanhas eleitorais

Redação Trendou, a partir das fontes acima. Saiba como trabalhamos na Política editorial · Pedir correção

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