A empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no caso das fraudes no INSS, afirmou à CNN Brasil neste sábado (17) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, se reuniu “inúmeras vezes” com ministros do governo do pai. Foi a primeira entrevista dela na TV desde o início da investigação.
Luchsinger disse que os encontros eram de conhecimento público e que Lulinha tinha reuniões frequentes em Brasília. Segundo ela, o filho do presidente chegou a viajar até a casa de Camilo Santana, ex-ministro da Educação, no Ceará.
O que ela disse sobre Lula
A empresária rebateu declarações do presidente, que em agosto disse à TV Globo não conhecer Luchsinger e, depois, a chamou de “pilantra” e a comparou a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. “Lula é mentiroso, está usando do mau-caratismo e da canalhice contra uma mulher com duas filhas”, afirmou à CNN.
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Para ela, um presidente que não sabe o que acontece na própria antessala “ou é um mentiroso” ou está senil, expressão que atribuiu ao senador Ciro Nogueira. Ao menos 12 fotos dos dois juntos já circularam; a campanha de Lula diz que as imagens não indicam relação pessoal.

Quais ministros foram citados
Em outro trecho da entrevista, Luchsinger disse que ministros a procuravam para “pedir favores, para conversar e para pedir ajuda”, inclusive para conseguir agenda com o presidente. “Eu nunca procurei muito ninguém. As pessoas me procuravam”, declarou. Ela afirmou que não recebia nada por isso.
Foram citados por ela:
- Leonardo Barchini, ministro da Educação;
- Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações;
- Camilo Santana, ex-ministro da Educação e hoje senador, que segundo ela era próximo de Lulinha;
- Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula;
- Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.
De acordo com a empresária, Lulinha acompanhava as conversas sobre a regulamentação de remédios à base de canabidiol e “ficava junto comigo o tempo inteiro”.
O que dizem o governo e os citados
A comunicação do presidente informou à CNN que Lula “desconhece inteiramente os fatos relatados”, que nunca recebeu pedidos da empresária e que não há contrato do governo federal com ela. A nota classificou as declarações, feitas a oito dias do segundo turno, como “tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático”.

A assessoria de Camilo Santana disse que ele “nunca esteve com o senhor Fabio Luís para tratar de qualquer assunto de governo” e que não tem relação com a empresária. O Ministério da Educação afirmou que nunca houve tratativa da pasta com os dois, e o das Comunicações disse que pedidos de agenda seguem canais institucionais e que nenhum deles esteve no ministério.
Em março, a defesa de Lulinha informou ao ministro André Mendonça, do STF, que Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, pagou uma viagem dele a Portugal em novembro de 2024 para conhecer uma produção de canabidiol. Os advogados disseram que os dois viajaram juntos uma única vez, que o lobista foi apresentado a ele por Luchsinger e que, na época, não havia denúncia contra Antunes.
Como está a investigação
Luchsinger e Lulinha são citados em inquérito da PF ligado à Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. A suspeita é de tráfico de influência no governo federal.
Os investigadores apontaram cinco transferências de R$ 300 mil, entre novembro de 2024 e março de 2025, de Antunes para empresas da empresária, num total de R$ 1,5 milhão. Em depoimento à PF em maio, ela negou ter repassado dinheiro a Lulinha e disse ter sido paga por um trabalho de regulamentação para o negócio de canabidiol do lobista. A defesa dela pediu o arquivamento das investigações.
Segundo a CNN, Luchsinger pretende fazer delação premiada. O segundo turno da eleição presidencial, em que Lula é candidato à reeleição, será no domingo, 25 de outubro.



