O SUS começa a oferecer nesta terça-feira (20) nove medicamentos contra o câncer, anunciou o Ministério da Saúde. A distribuição começa em 20 centros de tratamento, e a pasta prevê estender a oferta aos demais serviços oncológicos até dezembro.
Segundo o ministério, os remédios têm 13 indicações e podem beneficiar mais de 116 mil pessoas. O anúncio foi feito em cerimônia no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, com a presença do ministro Alexandre Padilha.
Quais remédios entram no SUS
A pasta divulgou a lista, com o uso previsto para cada medicamento:
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- Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção entre esôfago e estômago. Na rede pública, ele já era usado em casos de câncer de mama.
- Abemaciclibe: câncer de mama inicial do tipo RH+, Her2-, com comprometimento de linfonodo.
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: câncer de rim de células claras com metástase.
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica (como primeira opção), linfoma folicular e linfoma difuso.
- Abiraterona: câncer de próstata resistente à hormonioterapia, com ou sem metástase, e casos metastáticos que ainda respondem a esse tipo de terapia.
- Gefitinibe: câncer de pulmão de células não pequenas, no início do tratamento.
- TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide em pacientes com indicação de iodo radioativo.
- Sunitinibe: câncer de rim de células claras metastático e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático, após falha do imatinibe.
A lista inclui medicamentos de alto custo, como o abemaciclibe. De acordo com o ministério, na rede privada o tratamento pode chegar a R$ 366 mil.
Quem tem direito ao remédio
Ter o diagnóstico não garante o acesso automático. A indicação depende do tipo de tumor, da fase da doença e das características do paciente, e a avaliação cabe à equipe responsável pelo tratamento, segundo o G1.
Dependendo do caso, os remédios servem para controlar o avanço da doença ou aumentar a sobrevida. Outros são indicados depois da cirurgia, quando não há mais sinal visível de tumor, para reduzir a chance de a doença voltar.
As unidades ficam em SP, PR, BA, CE, PE, PI, PA, AM, RJ, PB, DF, MG, GO, RO, RS, TO e SE, conforme a lista do ministério. A pasta fala em 17 estados, mas a relação inclui o Distrito Federal; sem ele, são 16 estados, número citado pela Rádio Guaíba. O ministério não detalhou quais hospitais integram os 20 centros nem apresentou calendário por unidade.
Quanto custa para o governo
A aquisição dos nove produtos custará R$ 155,4 milhões por ano. O pacote de 23 novos medicamentos oncológicos previsto até o fim do ano terá impacto de R$ 4 bilhões por ano e ampliará em 35% as alternativas do SUS.
Pela divisão apresentada, o Ministério da Saúde assumiu a compra e a negociação direta de 10 desses medicamentos. Os estados vão adquirir outros nove por meio de uma ata de preço, e o governo ampliou os repasses para custear os quatro restantes. A pasta afirma que isso atenderá 100% da demanda.
Parte dos remédios já estava incorporada ao SUS havia mais de dez anos, mas não chegava aos serviços, segundo o ministério.
Outras medidas anunciadas no mesmo evento
O ministério também vai enviar aos estados 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT), que identificam sangue oculto nas fezes. O exame é voltado a pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas. Quem tiver resultado positivo passa por avaliação e, conforme a indicação, faz colonoscopia.
O teste não confirma câncer, já que o sangue nas fezes pode ter outras causas. A pasta fala em precisão de até 92%, mas o comunicado não explica qual medida de desempenho gerou o número, segundo o G1.
O SUS também passará a pagar cirurgias videotorácicas, feitas por pequenas incisões e usadas sobretudo em câncer de pulmão, ao custo de R$ 46 milhões por ano.
A distribuição dos testes nas Unidades Básicas de Saúde começa em novembro, por capitais e cidades com mais de 500 mil habitantes.



