O Sistema Único de Saúde (SUS) levou sangue raro do Ceará a Juiz de Fora (MG) na cabine de um voo comercial. O transporte foi feito na quinta-feira (8), e a bolsa chegou nesta sexta-feira (9) para um paciente em estado grave que aguardava transfusão, informou o Ministério da Saúde. É o segundo transporte desse tipo realizado pelo SUS.
Por que o sangue era difícil de encontrar?
Segundo a pasta, o paciente havia passado por um transplante renal. Nos testes anteriores à transfusão, foi identificado o anticorpo anti-Jsb, diferente dos sistemas ABO e Rh, os mais conhecidos. Por isso, ficou difícil localizar sangue compatível.
A rede de hemoterapia acionou então o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), que permitiu localizar um doador no Ceará. Depois de contatado, ele foi ao hemocentro, onde a bolsa foi coletada e liberada no mesmo dia. O material seguiu para Minas Gerais.
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O ministério não informou, nos dados divulgados, qual companhia aérea fez o transporte, em qual hospital o paciente está internado nem como ele passou após a transfusão.
Como foi o primeiro transporte desse tipo?
Em 12 de setembro, uma bolsa de sangue raro foi levada de São Paulo ao Piauí na cabine de um avião comercial, de forma gratuita. O material era destinado a um paciente com doença renal crônica em estado grave. Segundo o ministério, a transfusão foi realizada com sucesso, e o receptor teve bom estado de saúde depois do procedimento.
O que muda no transporte?
Antes, as bolsas de sangue viajavam como carga, categoria sujeita a prazos maiores e a restrições, de acordo com a pasta. Com a atualização do acordo, o transporte poderá ocorrer à noite, nos fins de semana e em feriados. A iniciativa busca reduzir o tempo de deslocamento e agilizar o atendimento.

A ampliação se apoia no Acordo de Cooperação Técnica entre o ministério e as companhias aéreas, que já previa o envio gratuito de órgãos para transplantes. Em 2025, a Central Nacional de Transplantes interveio em 2.016 transportes:
- 1.716 em voos comerciais;
- 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
O que é sangue raro e como funciona o cadastro?
Além de ABO e Rh, há outros antígenos na superfície das hemácias. Segundo o ministério, o perfil é considerado raro quando está presente em menos de uma a cada mil pessoas testadas.
O CNSR foi criado pela pasta em 2013. Segundo o ministério, o cadastro “reúne atualmente 2.032 doadores” e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes.



