O JPMorgan projeta uma reprecificação rápida dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições. Para o banco, as ações podem subir até 11% no curto prazo, e o dólar tende a testar a região de R$ 5.
Segundo o banco, o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o favorito no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Ele recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chamado “terceiro bloco”, de candidatos majoritariamente de centro e centro-direita, somou 7,8%.
Quanto a Bolsa pode subir
O JPMorgan trabalha com uma expansão de 20% a 25% nos múltiplos das ações brasileiras. Hoje, o mercado local é negociado a cerca de 8,9 vezes o lucro esperado para o próximo ano. O banco vê espaço para 10,9 vezes, o que significaria valorização de aproximadamente 22% no índice MSCI Brazil.
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Metade desse potencial, entre 10% e 11%, poderia ser incorporada de imediato. A outra metade, segundo o banco, dependeria de medidas concretas que abrissem caminho para juros mais baixos.
O que esperar para o dólar
Os mercados de previsão atribuem cerca de 85% de probabilidade à vitória de Flávio no segundo turno. Nesse quadro, o JPMorgan vê o dólar perto de R$ 4,95 e considera factível uma cotação ao redor de R$ 4,80 nas próximas semanas.
Para os juros, o banco espera queda das taxas. Cita o contrato de DI para janeiro de 2037, que fechou a sexta-feira (2) em 14,16%, e fala em alvo de 13%. A instituição ressalta que a consolidação fiscal será determinante para esse mercado.

Por que o Congresso importa
A avaliação positiva também se apoia no desempenho de partidos de direita no Legislativo. O PL mais que dobrou a bancada no Senado, para quase 30 das 81 cadeiras, e deve ter mais de 110 deputados na Câmara.
Para o banco, esse quadro facilitaria a formação de uma coalizão em eventual governo Flávio, sobretudo no Senado, e a aprovação de ajustes fiscais e reformas. Numa eventual vitória de Lula, avalia o JPMorgan, seria mais difícil formar maioria.
O que o boletim Focus mostra
O boletim Focus, do Banco Central, foi divulgado nesta segunda-feira (5) com estimativas coletadas até sexta-feira (2), antes do primeiro turno. Os números, portanto, não incorporam o resultado das urnas.
- IPCA de 2026: subiu de 4,99% para 5,01%, a terceira alta seguida. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos
- Selic em 2026: mantida em 13,50%
- PIB de 2026: recuou de 1,86% para 1,85%
- Dólar no fim de 2026: R$ 5,20, pela 16ª semana seguida
Que incertezas podem mudar o quadro
O JPMorgan ressalta que a eleição ainda não está definida. Participação eleitoral, taxas de rejeição, transferência dos votos dos candidatos eliminados e possíveis riscos institucionais numa campanha mais polarizada podem alterar a disputa.
De acordo com o relatório do banco, os primeiros levantamentos do segundo turno são esperados a partir de quarta-feira (7). Eles devem mostrar se a vantagem de Flávio no primeiro turno se mantém.



